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Acre mantém taxa de desaparecidos acima da média nacional com quase 400 casos em 2025

Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que taxa acreana supera a média nacional e número de pessoas localizadas diminuiu.

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O Acre mantém taxa de desaparecidos acima da média nacional após registrar 386 pessoas desaparecidas em 2025, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Apesar do aumento discreto em relação ao ano anterior, o estado segue entre os que apresentam índices proporcionais mais elevados do país.

Os registros passaram de 382 em 2024 para 386 em 2025, crescimento de 0,6%. Com isso, o Acre alcançou uma taxa de 43,6 desaparecimentos para cada 100 mil habitantes, acima da média brasileira, que ficou em 39,5.

Acre registra mais de um desaparecimento por dia

De acordo com o levantamento, considerando os 365 dias do ano, o estado registrou média de 1,06 desaparecimento por dia.

Em contrapartida, o número de pessoas localizadas caiu no período. Em 2024, foram registrados 371 casos de pessoas encontradas, enquanto em 2025 esse número caiu para 346.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública reúne dados enviados pelas secretarias estaduais de Segurança Pública e é considerado uma das principais referências nacionais sobre criminalidade e violência.

Estado tem a quarta maior taxa da Região Norte

Entre os estados da Região Norte, o Acre ocupa a quarta posição no ranking proporcional de desaparecimentos.

Confira as taxas por 100 mil habitantes:

  • Roraima: 78,1
  • Rondônia: 58,1
  • Amapá: 50,8
  • Acre: 43,6
  • Tocantins: 38,8
  • Amazonas: 22,7
  • Pará: 12,3

Embora tenha menos ocorrências em números absolutos do que estados mais populosos, o Acre permanece acima da média nacional quando considerado o tamanho da população.

Brasil ultrapassa 84 mil desaparecimentos

Em todo o país, foram registrados 84.269 desaparecimentos em 2025, alta de 3,6% em comparação aos 81.040 casos contabilizados em 2024.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o crescimento reforça uma tendência observada desde 2021, após a redução registrada durante a pandemia da Covid-19.

Já o número nacional de pessoas localizadas chegou a 61.305 em 2025.

O estudo ressalta, porém, que os dados podem apresentar distorções, já que nem todos os estados utilizam os mesmos critérios para registrar a localização de desaparecidos e muitas famílias deixam de comunicar às autoridades quando encontram seus parentes.

O que caracteriza uma pessoa desaparecida?

Conforme a Lei nº 13.812/2019, é considerada desaparecida toda pessoa cujo paradeiro seja desconhecido, independentemente da causa do desaparecimento, até que sua localização seja confirmada por meios físicos ou científicos.

A Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) orienta que não existe prazo mínimo para registrar o desaparecimento. O boletim de ocorrência deve ser feito imediatamente, e as buscas precisam começar de forma prioritária.

Casos mobilizaram o Acre em 2025

Entre os casos de maior repercussão está o desaparecimento da bebê Cristina Maria, que tinha apenas três meses de vida quando sumiu.

A mãe da criança, Yara Paulino da Silva, de 28 anos, foi assassinada após ser falsamente acusada pelo desaparecimento da filha. Posteriormente, exames do Instituto Médico Legal confirmaram que a ossada encontrada durante as buscas pertencia a um animal.

Cristina Maria segue desaparecida, foi incluída na plataforma Amber Alert e ainda não foi localizada. As investigações apontam, entre as hipóteses, a possibilidade de entrega ilegal da criança.

Outro caso que mobilizou buscas foi o desaparecimento de Bruno da Silva Holanda, de 29 anos, que saiu de casa, em Rio Branco, no fim de novembro de 2025, sem retornar.

Segundo familiares, ele era usuário de drogas e nunca havia permanecido tanto tempo sem dar notícias. O caso continua sendo investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).