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Acre reduz alertas de desmatamento em 35,3%, aponta Inpe

Dados do Deter mostram que área sob alerta caiu no Acre e atingiu o menor volume registrado na série histórica da Amazônia.

Samoel Andrade Por Samoel Andrade

O Acre registrou redução de 35,3% nas áreas sob alerta de desmatamento entre agosto de 2025 e julho de 2026, na comparação com o período imediatamente anterior. Os dados fazem parte do balanço anual do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O levantamento foi divulgado na última sexta-feira (7), durante evento realizado em São José dos Campos (SP), e apresenta um panorama dos alertas de supressão de vegetação registrados na Amazônia e no Cerrado.

No período analisado, o território acreano contabilizou 153,8 km² de áreas sob alerta de corte da vegetação nativa.

Acre fica entre os estados com maiores áreas sob alerta

Mesmo com a redução registrada no período, o Acre ficou na quinta posição entre os seis estados amazônicos com maior extensão de áreas sob alerta de desmatamento.

O estado ficou à frente apenas de Rondônia, que registrou 114,3 km² no mesmo ciclo.

Os números mostram que a redução dos alertas no Acre ocorreu em um cenário de queda mais ampla na Amazônia, embora a extensão das áreas identificadas continue sendo monitorada pelos órgãos responsáveis pela fiscalização ambiental.

Amazônia registra menor volume de alertas da série histórica

No conjunto do bioma Amazônia, os alertas de desmatamento recuaram 36,05% no período analisado.

Ao todo, foram identificados 2.874,38 km² de áreas sob alerta.

Segundo os dados apresentados pelo Inpe, esse foi o menor valor registrado em toda a série histórica do Deter, iniciada em 2016.

O resultado também ficou abaixo da média observada na última década, indicando uma redução expressiva na detecção de áreas com sinais de retirada da vegetação nativa.

Pará lidera área de alertas na Amazônia

Entre os estados da Amazônia, o Pará apresentou a maior extensão absoluta de áreas identificadas pelo sistema Deter.

Foram 987,27 km² de alertas no período, apesar de uma redução de 25,5% na comparação anual.

O Mato Grosso apareceu na sequência, com 834,41 km², registrando queda de 49%.

Já o Amazonas contabilizou 433,9 km², uma retração de 46,7%.

Rondônia, por sua vez, registrou 114,3 km² e teve redução de 41,2% nos alertas.

Roraima registra alta no desmatamento detectado

Entre os estados analisados na Amazônia, Roraima foi a exceção à tendência de queda.

O estado contabilizou 272,6 km² de áreas sob alerta, representando aumento de 32,5% em relação ao período anterior.

O resultado chama atenção porque ocorre em contraste com a redução observada nos demais estados amazônicos apresentados no balanço.

Deter funciona como sistema de monitoramento rápido

Durante a apresentação dos dados, foi destacado que o Deter funciona como uma ferramenta de monitoramento e apoio à fiscalização ambiental.

O sistema permite identificar rapidamente alterações na cobertura vegetal e fornece informações que podem auxiliar os órgãos responsáveis pelas ações de fiscalização.

Os dados do Deter, entretanto, não representam a taxa oficial anual de desmatamento.

A consolidação da taxa oficial é realizada posteriormente por meio do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Amazônia Legal por Satélite (Prodes).

Lula e Alckmin participam da apresentação

A divulgação do balanço ocorreu com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin.

O evento também integrou as comemorações pelos 65 anos de fundação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

Durante a apresentação, as autoridades destacaram a importância do monitoramento por satélite para acompanhar a dinâmica de ocupação e alteração da cobertura vegetal brasileira.

A utilização de dados de sensoriamento remoto permite que alterações sejam identificadas antes mesmo da consolidação dos levantamentos anuais.

Queda também foi registrada no Cerrado

Além da Amazônia, o balanço do Inpe apresentou os dados referentes ao Cerrado.

Nesse bioma, os alertas de desmatamento apresentaram uma redução de 7,8% durante o período analisado.

Ao todo, foram identificados 5.119,46 km² de áreas sob alerta.

A dinâmica do desmatamento no Cerrado apresenta características diferentes das observadas na Amazônia.

Segundo os dados apresentados, a maior parte das áreas identificadas no Cerrado está localizada em propriedades privadas, enquanto na Amazônia a dinâmica ocorre de forma predominante em áreas públicas e de reserva.

Maranhão concentra maior área identificada no Cerrado

Entre os estados do Cerrado, o Maranhão apresentou a maior extensão de áreas identificadas pelo sistema.

Foram registrados 1.276,92 km² de alertas no período.

O resultado reforça as diferenças existentes entre os biomas brasileiros e demonstra que a redução dos alertas ocorreu em ritmos diferentes nas principais áreas de vegetação nativa monitoradas pelo sistema.

O que os números representam para o Acre

A redução de 35,3% nos alertas de desmatamento no Acre representa uma mudança significativa em relação ao período anterior.

Com 153,8 km² registrados entre agosto de 2025 e julho de 2026, o estado acompanhou a tendência de retração observada na maior parte da Amazônia.

Apesar disso, os dados precisam ser interpretados como indicadores de monitoramento e fiscalização, e não como o resultado definitivo da taxa anual de desmatamento.

A consolidação dos números oficiais depende do levantamento realizado pelo Prodes, que utiliza metodologia específica para calcular a área efetivamente desmatada.

Monitoramento continua sendo essencial

Os dados divulgados pelo Inpe mostram uma redução importante dos alertas tanto no Acre quanto na maior parte da Amazônia.

No caso acreano, a queda de 35,3% ocorre em um período de 12 meses marcado por esforços de monitoramento e fiscalização da cobertura vegetal.

A utilização de imagens de satélite permite acompanhar mudanças na floresta e direcionar ações de fiscalização para áreas onde são identificados sinais de alteração da vegetação.

O balanço também mostra que, apesar da tendência geral de redução, existem diferenças significativas entre os estados e entre os biomas.

Para o Acre, os 153,8 km² de alertas registrados no período representam o resultado do monitoramento realizado pelo Deter e servem como indicador para o acompanhamento da dinâmica do desmatamento no estado.