A primeira semana de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi marcada por novas revelações sobre a relação entre o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger, com potencial de causar impacto na campanha de reeleição do petista.
Para tentar conter o desgaste, o Partido dos Trabalhadores (PT) e integrantes da campanha voltaram a pressionar o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pelo vínculo com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles
“A própria prestação de contas do filme foi vazada do processo que responderam e viram que estava tudo certinho. Agora, quem tem que prestar conta é o Lula, não sou eu. É ele que recebe Augusto Lima [ex-sócio do dono do Master] e [Daniel] Vorcaro [dono do Banco Master] prometendo que vai trocar o presidente do Banco Central”, disse o candidato durante agenda em São Paulo.
A fala virou munição para aliados do presidente. O secretário de Comunicação do PT e membro da campanha de Lula, Éden Valadares, sugeriu que Flávio é “mentiroso compulsivo”.
“Ou o senador Flávio Bolsonaro sofre de uma doença que o faz ser mentiroso compulsivo, ou ele desdenha da inteligência da sociedade brasileira. Essa estória de que já prestou contas do dinheiro que pegou dos milhões de reais que pegou do Banco Master para o filme é tão verdade quanto o diploma dele de pós-graduação na UFRJ“, afirmou.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acusou o senador de mentir “na cara dura”.
“Flávio mente na cara dura. Tem claramente uma limitação intelectual e se esconde nessas mentiras. E ele vai além, ele diz quem tem que se explicar sobre o Banco Master é o Lula. Como assim, Flávio? O Banco Master cresceu no governo do Bolsonaro”, criticou o parlamentar.
Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles
Frequência de envio: Diário
Ver todasVer todas as newsletters
A campanha de Lula também tem apostado em “ressuscitar” antigas acusações contra o senador, como o caso de “rachadinha” que teria sido operado no gabinete à época em que era deputado estadual, e o suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma loja de chocolates da qual era sócio.
Em um vídeo publicado nas redes sociais do PT, a sigla reuniu outras acusações e controvérsias envolvendo Flávio, como sua relação com o miliciano Adriano da Nóbrega e com o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) Rodrigo Bacellar, apontado como ligado ao Comando Vermelho. A publicação também questiona a denúncia apresentada contra o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), escolhido como vice de Flávio, por suposto estupro.
Assista:
Ver essa foto no Instagram
Um post compartilhado por PT – Partido dos Trabalhadores (@ptbrasil)
7 imagens1 de 7
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, é suspeito de atuar para favorecer o Careca do INSS
Reprodução2 de 7
O presidente Lula e seu filho, o empresário Fábio Luís Lula da Silva — conhecido como Lulinha
Arte/Metrópoles3 de 7
Roberta Luchsinger, Fábio Lula (Lulinha) e Cleber Ribas
Arte/ Metrópoles4 de 7
Flávio Bolsonaro define Alfredo Gaspar como vice
HUGO BARRETO / METRÓPOLES
@hugobarretophoto5 de 7
O empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha
Danilo M. Yoshioka/ Especial Metrópoles6 de 7
Flávio Bolsonaro definiu Alfredo Gaspar como seu vice
HUGO BARRETO / METRÓPOLES
@hugobarretophoto7 de 7
Lulinha
Reprodução
Inquéritos contra Lulinha
- Ministério da Saúde: é investigado por suspeita de tráfico de influência e corrupção em negociações relacionadas ao processo de autorização para comercialização de cannabis medicinal. É apurado se Lulinha teria favorecido a empresa de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. O inquérito foi autorizado pelo STF no final de julho e o ministro André Mendonça é o relator.
- Dataprev: a PF suspeita que um empresário do setor de tecnologia tenha atuado em conjunto com Lulinha, Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e a empresária Roberta Luchsinger na tentativa de obter contratos com o governo federal por meio da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev). O inquérito também foi autorizado pelo STF em julho, tendo como relator o ministro André Mendonça.
- Tráfico de influência: Lulinha é suspeito de usar a influência decorrente de sua condição de filho do presidente da República para favorecer empresas parceiras. O inquérito, autorizado em 4 de agosto, está sob sigilo e é relatado pelo ministro do STF Flávio Dino. A investigação chega ao Palácio do Planalto ao mirar o então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Segundo a PF, há indícios de ligação entre ele, Roberta e Lulinha, incluindo o pagamento de despesas e a compra de joias para ele.
Vazamentos de inquéritos
Os recentes vazamentos das investigações da Polícia Federal que envolvem Lulinha são apontados como seletivos e politicamente intencionais pela campanha de Lula.
Na noite de quarta-feira (19/8), Lula recebeu no Palácio da Alvorada o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que atua na defesa de Lulinha e também coordena a campanha de Lula em São Paulo. Segundo interlocutores, o caso de Lulinha não estava na pauta inicial e entrou na conversa, por iniciativa de Carvalho, em meio às discussões sobre o cenário eleitoral em São Paulo e as próximas agendas do presidente.
Na ocasião, o titular do Planalto voltou a dizer que o filho terá de prestar esclarecimentos sobre as investigações. O presidente também reforçou que não vai interferir nas apurações nem dar tratamento especial a Lulinha.
Nesta semana, a coluna Tácio Lorran, do Metrópoles, revelou mensagens atribuídas a Lulinha e à lobista Roberta Luchsinger, investigada por suspeita de tráfico de influência. Os diálogos tratam de negócios, reuniões e contatos com integrantes do governo.
Anteriormente, a PF havia identificado repasses de R$ 1,5 milhão feitos pelo empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, a Roberta. Em uma das transferências, segundo a investigação, o empresário afirmou a um interlocutor que o dinheiro seria destinado ao “filho do rapaz”. A PF apura se a expressão era uma referência a Lulinha.
A defesa nega irregularidades. Os advogados afirmam que Lulinha atua exclusivamente na iniciativa privada, não mantém negócios ligados ao governo federal e que as quebras de sigilo bancário e fiscal não apresentaram provas de práticas ilegais.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Daniela Santos.




