homem acusado de matar ex-mulher em frente ao trabalho vai a júri em Pelotas começa a ser julgada nesta quarta-feira (29), a partir das 9h30, pelo Tribunal do Júri da cidade gaúcha. Tiago Vieira Medeiros, de 33 anos, responde pela morte da ex-companheira, Laís Malaguez Meyer, de 32 anos, assassinada em frente ao local onde trabalhava, na Zona Norte de Pelotas, em 21 de abril de 2025.
Laís deixou duas filhas, fruto do relacionamento com o acusado.
Ministério Público aponta feminicídio qualificado
O Ministério Público denunciou Tiago Vieira Medeiros por feminicídio qualificado, apontando como circunstâncias agravantes o fato de a vítima ser mãe de crianças e adolescentes, além do uso de recurso que dificultou sua defesa.
Segundo a investigação, Laís foi abordada pelo ex-companheiro em frente à empresa onde trabalhava. Os dois conversaram por cerca de oito minutos antes de o acusado efetuar sete disparos contra o rosto da vítima.
Conforme o registro policial, Laís havia denunciado o ex-companheiro por ameaça em 2021, porém não existia medida protetiva em vigor no momento do crime.
Julgamento deve ser concluído no mesmo dia
O promotor de Justiça Jaimes dos Santos Gonçalves será responsável pela acusação durante o julgamento.
De acordo com o Ministério Público, dez testemunhas foram ouvidas durante a fase de instrução processual. Não há previsão de novos depoimentos nesta etapa, e a expectativa é que a decisão dos jurados seja anunciada ainda nesta quarta-feira.
Família pede pena máxima
A mãe de Laís, Elizangela Cavalheiro Malaguez, ficou responsável pela criação das duas netas, atualmente com 10 e 15 anos.
Ela afirmou esperar que o acusado seja condenado à pena máxima.
“Nada vai trazer ela de volta, mas estamos tentando que isso não aconteça com outras pessoas. Só a família sabe a dor que é, a falta que faz. Ele estragou a vida dela, a minha e as das filhas. Ele tirou todas as chances dela e escolheu isso para a vida dele. Ela não escolheu morrer e as filhas não escolheram ficar sem mãe”, declarou.
Segundo Elizangela, a morte da filha também deve servir como alerta para que mulheres deixem relacionamentos marcados pela violência.
Nota da defesa
Em nota, a defesa de Tiago Vieira Medeiros afirmou:
“A defesa do acusado, com o devido respeito à dor dos familiares da vítima e à relevância do debate proposto pela reportagem, reserva-se o direito de manifestar-se exclusivamente nos autos, por se tratar de processo ainda em curso, com diligências em andamento e sem julgamento definitivo.
É fundamental lembrar que o Estado Democrático de Direito assegura a toda e qualquer pessoa — independentemente da gravidade da imputação — o direito à presunção de inocência, ao contraditório e à plenitude de defesa, garantias constitucionais que não podem ser relativizadas mesmo diante de tragédias irreparáveis. A formação de narrativas unilaterais, antes do pronunciamento da Justiça, compromete não apenas o equilíbrio processual, mas também fomenta um clima social de pré-julgamento e linchamento simbólico, tão incompatível com os valores fundamentais que nos sustentam como sociedade.
A defesa também entende a importância de promover a conscientização e o enfrentamento à violência contra a mulher. No entanto, alerta para o risco de que casos específicos — ainda sub judice — sejam instrumentalizados como elementos de mobilização social, sem que se tenha assegurado, de forma plena, a responsabilização com base em provas produzidas sob o crivo do Judiciário.
Reafirmamos, por fim, o compromisso ético com a legalidade, a justiça e a dignidade da pessoa humana, destacando a necessidade de que todos os envolvidos em situações de tamanha complexidade e dor sejam tratados com responsabilidade, equilíbrio e humanidade.”
O julgamento ocorre sob grande expectativa da família da vítima e da comunidade local, que aguardam a decisão do Tribunal do Júri sobre um dos casos de feminicídio de maior repercussão registrados em Pelotas.





