O crescimento de Augusto Cury (Avante) nas pesquisas fez com que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) passassem a disputar o apoio do candidato que se consolidou como uma das principais forças da terceira via.
A declaração de Cury de que poderá apoiar Flávio em um eventual segundo turno aumentou a preocupação no entorno do presidente. O candidato condicionou o apoio à comprovação de que Flávio não teve envolvimento no suposto desvio de recursos para a produção do filme Dark Horse e ao compromisso com seu plano de governo. Cury também afirmou que não apoiaria Lula.
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Flávio encosta
Na AtlasIntel/Bloomberg, divulgada na quinta-feira (10/9), Lula aparece com 43% no primeiro turno, contra 37,4% de Flávio. No segundo turno, porém, o senador tem 46,4%, ante 46,2% do petista.
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do Metrópoles
Na BTG/Nexus, Lula marca 39% no primeiro turno, contra 35% de Flávio. Cury aparece com 9%, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) têm 4% cada. No segundo turno, Flávio registra 46%, contra 45% de Lula.
Para Pedro Müller, consultor na Seta Public Affairs, o crescimento de Cury transformou o candidato em uma “reserva de votos” cobiçada pelos dois principais concorrentes. Na avaliação dele, a maior parte dessa reserva tende a favorecer Flávio, já que os nomes da terceira via estão mais próximos da direita.
Müller ressalta, porém, que o apoio de Cury não significa transferência automática de votos. “Mesmo que ele apoie abertamente Flávio no segundo turno, garantir que seu eleitor irá de forma homogênea para seu candidato é improvável”, afirma.
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Terceira via
- Cury vira alvo de Lula e Flávio: crescimento nas pesquisas coloca candidato da terceira via no centro da disputa pelo segundo turno;
- Flávio encosta em Lula: pesquisas mostram empate técnico no segundo turno, apesar da vantagem do petista na primeira etapa;
- Terceira via pode decidir eleição: votos de Cury, Caiado, Zema e Renan Santos são vistos como decisivos, mas transferência não é automática;
- Rejeição e abstenção preocupam Lula: petista precisará conquistar eleitores fora de sua base e mobilizar o eleitorado para superar Flávio no segundo turno.
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Presidente Lula
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto2 de 3
Flávio Bolsonaro
Reprodução/Youtube/Flávio Bolsonaro3 de 3
Augusto Cury
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Terceira via é desafio
O problema para Lula é que Cury não é o único candidato desse campo político com potencial de transferir votos para Flávio. Caiado, Renan Santos e Romeu Zema (Novo) também disputam uma parcela do eleitorado que poderá ser decisiva.
Na BTG/Nexus, Lula vence Caiado por 46% a 43%, Zema por 47% a 40% e Renan Santos por 47% a 39%. Contra Cury, entretanto, o petista aparece atrás: 45% a 43%.
Para Müller, a eleição de 2022 mostra que Lula não pode contar antecipadamente com os votos dos adversários derrotados. Naquele ano, Simone Tebet (PSB) e Ciro Gomes (PSDB) somaram 7,2% no primeiro turno. Apesar do apoio de Tebet a Lula, Bolsonaro concentrou a maior parte do crescimento líquido dos votos dos dois candidatos entre os turnos.
Bolsonaro terminou a eleição com 49,1%, enquanto Lula chegou a 50,9%.
Rejeição elevada
O paralelo com 2022 ganha força diante da rejeição dos dois principais candidatos. Na AtlasIntel/Bloomberg, Lula é rejeitado por 52,5% dos eleitores, enquanto Flávio tem 49,6%.
“Na situação atual, a tendência é que um ganhe o voto de quem rejeita o outro, levando o cenário para uma situação de resultado próximo, assim como em 2022”, avalia Müller.
Para o cientista político, o comportamento do eleitor, entretanto, não segue necessariamente uma lógica ideológica. Em 2022, por exemplo, eleitores de Minas Gerais votaram em Lula para presidente e em Zema para governador.
“Alguns eleitores de Caiado que o apoiam por sua idade e experiência podem ver em Lula essas mesmas características que veem no goiano”, afirma.
O mesmo pode ocorrer com Cury. Segundo Müller, características de seu eleitorado, como a maior presença feminina, podem favorecer Lula em determinados segmentos. A falta de fidelização também pode levar parte dos eleitores ao voto nulo ou branco.
De onde virão os votos?
A dificuldade de Lula está em transformar uma eventual liderança no primeiro turno em maioria no segundo. Se chegar à etapa final com cerca de 45%, precisará conquistar mais de 5 pontos percentuais para ultrapassar a marca de 50% dos votos válidos.
Boa parte dessa reserva eleitoral, contudo, está fora de sua base. E, embora a transferência de votos de Cury, Caiado, Zema ou Renan Santos não seja automática, o posicionamento desses candidatos tende a favorecer Flávio.
Outro obstáculo é a abstenção. Segundo Müller, parte do eleitorado de Lula tende a deixar de votar no segundo turno, especialmente entre eleitores de menor renda e em locais onde a disputa estadual já estiver definida.
Com a máquina política nas mãos, Lula tem uma vantagem que Bolsonaro também possuía em 2022, mas que não foi suficiente para garantir a vitória. Agora, o petista enfrenta um cenário em que Flávio cresce nas simulações de segundo turno e a terceira via está mais inclinada à direita.
Para Müller, a campanha petista precisará mobilizar sua base, atrair eleitores menos ideológicos e aproveitar eventuais erros de Flávio.
“A campanha de Lula depende de motivar seu eleitorado fiel e titubeante, da falta de fidelização do eleitorado de Cury, da incoerência ideológica do eleitor de outros competidores e de que Flávio Bolsonaro dê escorregões maiores do que os dele ou que Flávio escorregue por último”, afirma.
Diante do empate nas pesquisas de segundo turno, o desafio de Lula não será apenas chegar à etapa final, mas encontrar os votos que faltarem para vencer.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Evellyn Paola.




