ENTRETENIMENTO

Alok repensa busca pelo topo e dispara: “O que adianta ser o número um do mundo?”

Por Guilherme Silva

Alok repensa busca pelo topo e dispara: “O que adianta ser o número um do mundo?”

DJ explicou por que a liderança nos rankings deixou de ser prioridade e também falou sobre Marília Mendonça e os limites da inteligência artificial na arte

Alok (Reprodução)

Alok passou a enxergar de outra forma a corrida pelo primeiro lugar entre os DJs do mundo. Em entrevista a Erika Schneider, no quadro “De Frente com Schneider”, o artista explicou que deixou de tratar o topo dos rankings como um objetivo central da carreira e passou a considerar outras prioridades, principalmente dentro de casa.

Atualmente, Alok ocupa a terceira posição do Top 100 DJs, ranking da revista DJ Mag divulgado em 2025. David Guetta aparece na liderança, seguido por Martin Garrix. Apesar do reconhecimento internacional, o brasileiro afirmou que a disputa pelo primeiro lugar pode se transformar em uma busca contínua por poder e reconhecimento.

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Alok se apresentando no MéxicoCrédito: Divulgação AlokCrédito: Reprodução Alok reinventa música do Empire of the SunReprodução

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“É porque é aquela corrida pra você se tornar o número um do mundo, aí você começa a refletir e fala: ‘Mas o que adianta ser o número um do mundo se eu não for o número um pros meus filhos antes, né? Se eu não for o número um pra minha esposa, pra minha família como um todo, assim?’ Então, pra mim, a questão de ser o número um do mundo, isso aqui é um outro problema, que é: beleza, aí eu sou o número um do mundo. E aí, ano seguinte é o quê? Eu não quero deixar que ninguém ocupe meu lugar, então eu começo a lutar pelo poder. Eu não tô nem aí. Isso não é o sentido. Não tô nem aí, entendeu? A questão é, se eu me tornar ou não, vai ser uma questão de alguma consequência”, disse.

Homenagem a Marília Mendonça

Durante a conversa, Alok também explicou a homenagem que fez a Marília Mendonça no evento de Barretos. O DJ contou que tinha planos de dividir o palco com a cantora em 2022, quando ela também seria a embaixadora da festa. Marília morreu em novembro de 2021, vítima de um acidente aéreo.

“Cara, não, eu não pensei em mais ninguém, assim, sabe? A questão da Marília teve, né? A gente ia tocar juntos em 2022, ela ia ser embaixadora naquele ano e aí, enfim, ela faleceu em 2021. E eu acho que ficou faltando essa presença dela ali, sabe, como embaixadora ali. E aí foi mesmo uma forma de materializar essa presença dela e fazer uma homenagem”, contou.

Questionado por Erika Schneider sobre a possibilidade de prestar tributos semelhantes a outros artistas, Alok afirmou que não possui outro projeto do tipo em mente atualmente: “Eu não tenho nenhuma outra pretensão de fazer homenagem a nenhum outro artista, assim. Não tem algo que me mexa, assim.”

DJ estabelece limite para inteligência artificial

Outro tema abordado foi a presença da tecnologia na música. Alok afirmou que sempre enxergou os recursos tecnológicos como aliados de sua carreira, mas fez uma ressalva quando o assunto é a utilização da inteligência artificial na criação artística.

“Eu sempre falei que a tecnologia é uma grande aliada na minha carreira, né? Então, assim, até porque eu só posso fazer o que eu faço porque existe tecnologia em torno disso, sim. Mas, a partir do momento que se inventou a inteligência artificial e ela começou a fazer parte, assim, numa questão de uma criação artística, que, na verdade, nada mais é que uma cópia daquilo que ela estudou, né, da nossa arte, eu começo a colocar um certo tipo de limite porque eu acho que, pra você fazer arte, a arte ainda precisa ser humana”, constatou.

Para Alok, a produção artística também tem a função de provocar o público e estimular mudanças culturais, além de proporcionar entretenimento: “Mas a arte nem sempre é pra trazer conforto. Também é pra nos confrontar, fazer refletir, pensar, mover a cultura pra frente, moldar a cultura como um todo”.

O DJ ainda questionou a ideia de tratar a inteligência artificial apenas como uma ferramenta e citou os investimentos das grandes empresas de tecnologia no desenvolvimento desses sistemas.

“Só que, fora isso, tem muitas outras coisas, assim, porque a galera fala que inteligência artificial é uma ferramenta, mas é mentira, assim, porque, no final, se eles acreditassem realmente que seria só uma ferramenta, eles estariam investindo trilhões pra que ela nos tornasse uma AGI. Então, se ela fosse só uma ferramenta, iriam falir todas as big techs que estão investindo trilhões e trilhões nela. Então, eles têm a convicção de que ela vai virar uma IA, que toma uma decisão por conta própria. E, a partir daí, a gente começa a ter vários outros tipos de problemas também. Então, assim, acreditar nessa narrativa de que ela é só uma ferramenta é a gente ser um pouco ingênuo no que as big techs estão pensando, assim”, declarou.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Guilherme Silva.