Geral

Alvo do Gaeco, líder de quadrilha que pagava policiais civis segue foragido

Por Alfredo Henrique
Reprodução/Instagram

Apontado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) como líder de uma organização criminosa especializada em introduzir clandestinamente eletrônicos no Brasil, principalmente celulares, o empresário Thiago Marcel Magnabosco (imagem em destaque) segue foragido.

Segundo a investigação, ele comandava uma estrutura que transportava mercadorias sem o recolhimento dos impostos devidos e reservava parte do dinheiro do negócio para pagar policiais civis corruptos. Também permanece foragido o policial civil Vagner Ramalho (veja galeria abaixo), que teve a prisão preventiva decretada pela Justiça.

5 imagens1 de 5

Policial civil Vagner Ramalho

Reprodução/MPSP2 de 5

Parte da propina era paga em dinheiro vivo

Reprodução/MPSP3 de 5

Carro a Polícia Civil durante escolta de carga de descaminho

Reprodução/MPSP4 de 5

Viatura escolta carga em rodovia de SP

Reprodução/MPSP5 de 5

Empresário Thiago Marcel Magnabosco

Reprodução/Instagram

Outros cinco alvos foram presos nesta sexta-feira (28/8).

São eles: os policiais civis Bruno Moreno dos Santos, José Adriano Pereira da Silva Nishi e Marcos Vinicius de Souza Melo, o advogado Sidiclei da Costa Almeida e o empresário Jonathan Renan Vieira.

A Operação Merx é realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Corregedoria Geral da Polícia Civil e do Departamento de Operações Estratégicas da Polícia Civil (Dope).

Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles

Propina como custo do negócio

Documentos obtidos pela coluna mostram que Magnabosco é apontado como o responsável pelos pagamentos feitos em quatro episódios investigados, entre junho e dezembro de 2024. Os policiais supostamente interceptavam caminhões carregados com eletrônicos de descaminho e cobravam, como regra, 70% do valor da mercadoria para devolver toda ou parte da carga. A soma das cobranças identificadas chega a R$ 2,35 milhões.

Segundo o Gaeco, Thiago chegou a negociar diretamente com um contato salvo como “Civil SP”. Em outras ocasiões, recorria a Sidiclei, apontado como intermediário entre o empresário e os agentes públicos. O advogado teria tratado dos “acertos”, indicado contas para transferências e auxiliado na retirada das mercadorias.

A investigação sustenta que os pagamentos não eram improvisados. Para o MPSP, as propinas já estavam “mensuradas no risco do negócio” e integravam o modo de funcionamento da organização.

Celular revelou esquema

O caso começou a ser desvendado depois de outra prisão de Magnabosco. Ele foi detido em flagrante pela Polícia Federal em 17 de dezembro de 2024, em investigação por descaminho. O celular apreendido naquela ocasião acabou se tornando peça central da nova apuração.

Conversas, comprovantes de transferências, fotografias e áudios encontrados no aparelho permitiram ao Gaeco reconstruir os supostos pagamentos e identificar policiais envolvidos. A Justiça afirma que Thiago teria uma estrutura logística interestadual, disponibilidade de recursos e canais de pagamento já testados para manter as operações.

Apesar disso, o empresário continuou circulando. No último dia 4 , ele apareceu como uma das vítimas do roubo de uma carga de celulares avaliada em cerca de US$ 400 mil (R$ 2.077.920,00), em Ciudad del Este, no Paraguai. Como registrado na ocasião, Magnabosco e outro brasileiro foram abordados por homens armados. Uma das vítimas chegou a ser levada pelos criminosos antes de ser libertada.

Informações divulgadas sobre a Operação Merx afirmam que Magnabosco estaria no Paraguai. Vagner Ramalho também continuava procurado até a publicação desta reportagem. A defesa deles não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Alfredo Henrique.