Em Sena Madureira, o jornalista Jota Cavalcante registrou um encontro marcante com Avelino, um ex-seringueiro de 71 anos que carrega consigo memórias vivas da Amazônia profunda. Entre histórias de pescarias tradicionais, mergulhos perigosos e experiências de coragem, Avelino reviveu momentos de sua juventude que fazem parte da cultura dos povos da floresta.
Durante a entrevista, ele recordou a prática antiga de “visgar peixe debaixo d’água”, uma técnica usada pelos ribeirinhos para capturar peixes grandes, como o paute. Avelino conta que a pescaria acontecia no verão, principalmente entre abril e maio, período de águas mais baixas. Os peixes eram fisgados com linha e anzol enquanto permaneciam encostados debaixo d’água, em poções profundas que chegavam a quatro braços.
“Me perguntaram se eu tinha coragem de mergulhar no Lago do Paneiro. Eu disse que tinha. A ariranha tinha caído e afundado. Mergulhei fundo, peguei ela e voltei. Me deram até uma gratidão por isso”, contou, sorrindo.
A aventura, segundo ele, ocorreu no Rio Macauã, quando ainda era jovem e trabalhava nos seringais. Apesar dos riscos, Avelino fala com orgulho da coragem que tinha e que, segundo ele, o acompanhou pela vida inteira.
Hoje, aos 71 anos, Avelino vive com saúde, depois de atravessar até mesmo a pandemia sem complicações. Suas narrativas chamam atenção não apenas pela coragem, mas pela riqueza cultural que carregam, retratando uma Amazônia vivida, sentida e respeitada.
“Histórias como a de Avelino são um patrimônio da nossa região”, destacou o jornalista Jota Cavalcante ao encerrar a entrevista.
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