Um relatório do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO) aponta que a diarista Silvia de Amorim Jesus, condenada por envolvimento no 8 de Janeiro, teria rompido a tornozeleira eletrônica um dia após o ministro Alexandre de Moraes mandar prendê-la.
De acordo com o relatório, a tornozeleira deixou de estabelecer comunicação com o sistema em 28 de agosto, um dia após o ministro determinar que a Polícia Federal (PF) cumprisse a ordem de prisão devido ao trânsito em julgado da condenação.
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da Coluna Manoela Alcântara
Policiais penais chegaram a ir ao endereço de Silvia, mas constataram que ela não estava no local e que não havia sinais de permanência recente na residência.
Com isso, Silvia é considerada foragida da Justiça. Ela foi condenada a 14 anos de prisão.
A coluna não conseguiu localizar a defesa dela.
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Investigações
As investigações mostram que Silvia participou da invasão aos prédios públicos no 8 de Janeiro. Mensagens encontradas no celular mostram que, um dia antes dos ataques, ela encaminhou uma mensagem para um contato salvo como “Gil”.
“Tô indo para Brasília (…), o movimento é em Brasília (…). Tamo indo pra batalha. A previsão é para invadir e tomar o poder, essa é a chamada dessa vez, é o agro, os caminhoneiros e o povo (…)”, escreveu.
No dia da invasão, a PF encontrou mensagens e gravações feitas por Silvia dentro do Palácio do Planalto e nas imediações do Congresso Nacional, nas quais ela comemorava os atos.
“É ao vivo, meu irmão! Tomemos o poder, irmão! Tá pegando fogo!”, dizia uma frase enviada para um contato. “Tomemo todos os poderes. Tamo aqui dentro do Planalto, em tudo, tudo. Tá tudo tomado. Chega e vem pra cá. (sic)”
Silvia foi presa em 9 de janeiro, um dia após os ataques, por decisão de Moraes. A PF também encontrou, no celular dela, um áudio em que relatava a depredação e afirmava que participava de uma “guerra”.
“Estamos detidos na PF. Nós tomemo, mas, depois, vieram com muita polícia e jogaram bomba em nós até nós recuar. Bomba e bomba de borracha e spray de pimenta até nós recuar. Mas nós invadimo tudo. Quebramo aquele trem tudo (sic)”, disse.
Ela prosseguiu: “Agora pegaram nós de manhã cedo e trouxeram nós pra cá (…). É assim mesmo, nós entra numa guerra e está disposto a qualquer coisa (…). Não me arrependo, não, faria tudo de novo. Não vou parar. Nós não vai parar, pode ter certeza. Nós não vai entregar nosso país de mão beijada.”
Com base nas informações encontradas pela PF no aparelho, o Ministério Público Federal (MPF) ampliou a acusação contra Silvia.
Inicialmente, ela havia sido denunciada pelos crimes de associação criminosa e incitação ao crime, sob a suspeita de ter participado apenas do acampamento em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília.
Após as novas informações reunidas pelos investigadores, a acusação passou a incluir os crimes de associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Por maioria, os ministros Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Edson Fachin acompanharam o voto de Moraes pela condenação a 14 anos de prisão. Nunes Marques, Luiz Fux e André Mendonça divergiram.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Pablo Giovanni.




