Belo Horizonte — A família do pequeno Dherick Yan, de 9 anos, conhecido como Pé de Ferro, criou uma vaquinha para tentar manter o garoto por mais uma semana em Belo Horizonte, após o Atlético-MG pedir que ele continue em avaliação nas categorias de base do clube. A família, que veio de Brasília e não havia se planejado financeiramente para estender a estadia, agora busca recursos para custear os próximos dias na capital mineira.
Dherick chegou a Belo Horizonte no último domingo (20/9) para passar pela avaliação. Durante o voo, o garoto foi surpreendido com uma homenagem pelos alto-falantes da aeronave, em um momento que emocionou os passageiros e viralizou nas redes sociais.
“Eles pediram para a gente ficar mais uma semana, porém eu não consigo. Temos que voltar para Brasília porque é preciso trabalhar, e seria mais uma semana ele faltando aula também. E, assim como eu disse, viemos com dinheiro de rifa e o dinheiro acabou. Então, vamos ver o que a gente faz agora, se remarca uma data para voltar ou não”, contou o pai, Thaynan Franco, de 33 anos, motorista de aplicativo.
Perdeu passagem de volta
A situação ficou ainda mais complicada porque Thaynan perdeu a passagem de volta. Segundo ele, os bilhetes haviam sido comprados por meio de uma pessoa que trabalhava com milhas, mas a viagem não se concretizou como previsto.
“Tivemos um problema com o voo da volta. Comprei as passagens com um cara que trabalhava com milhas. Acabou que ele me enrolou até ontem e aí vamos ter que voltar de ônibus agora”, relatou.
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do Metrópoles
Diante da possibilidade de permanecer mais uma semana em BH, a família decidiu abrir uma vaquinha. O valor arrecadado vai ajudar a definir se pai e filho ficam na capital mineira ou retornam a Brasília para voltar em outra data.
“Vamos ver o valor que vai arrecadar. Dependendo do valor, a gente fica. Dependendo, a gente guarda para voltar”, explicou o pai.
Segundo Thaynan, seriam necessários entre R$ 2 mil e R$ 2,5 mil para custear mais uma semana na cidade, sem contar as passagens. “Se a gente for embora hoje para depois voltar, tem esses R$ 2,5 mil mais a passagem. É por isso que deixei [o valor da vaquinha] aberto”, afirmou. Acesse a vakinha aqui.
A oportunidade
A história de Dherick com a bola começou cedo, por volta dos 6 anos. Primeiro, no futsal. Segundo a mãe, Ygna Wanyery, assistente de vendas, de 33 anos, o desempenho do filho inicialmente não chamava tanta atenção, mas a vontade de jogar fez a família continuar incentivando.
“O Dherick começou no futsal ainda pequeno. No início, ele não tinha um desempenho que chamasse tanta atenção, mas sempre teve uma energia enorme e, principalmente, gostava muito de jogar. Então nós continuamos levando porque, para a gente, naquele momento, o mais importante era ele se divertir e fazer algo que amava”, contou.
Depois de passar por um projeto social de futsal, Dherick recebeu um convite do Chute Certo para disputar um campeonato de futebol de campo. Foi durante uma partida contra o Ceilandense que a trajetória ganhou um novo rumo. “Ele fez uma grande partida justamente contra o Ceilandense e marcou um gol muito bonito. Os treinadores se interessaram por ele e o convidaram para treinar com a equipe”, lembrou a mãe.
Há cerca de um ano e sete meses no Ceilandense, Dherick passou a se destacar e ganhou o apelido de “Pé de Ferro” por causa da força do chute. Volante, ele sonha em se tornar jogador profissional.
Foi durante uma avaliação no clube, acompanhada por um olheiro do Atlético-MG, que surgiu o convite para ir a BH. “Houve uma avaliação na escolinha que ele defende as cores, a Ceilandense Base PSul. Ele foi aprovado e recebemos o convite para passar uma semana junto aos Crias do Galo”, contou o pai, Thaynan Franco, de 33 anos, motorista de aplicativo.
Da rifa ao avião
A viagem exigiu esforço financeiro da família. Para custear alimentação e transporte, o pai organizou uma rifa beneficente, mas precisou adiar o sorteio devido à baixa arrecadação.
Mesmo assim, pai e filho seguiram para BH. Durante o voo, Dherick foi surpreendido com uma homenagem da tripulação e só percebeu que o anúncio era para ele ao ouvir o próprio nome e o apelido “Pé de Ferro”.
“A torcida do Galo nos abraçou desde o primeiro momento, ainda dentro da aeronave. Foi algo mágico”, contou Thaynan.
Dherick iniciou a avaliação no Atlético no começo da semana. Para o pai, independentemente do resultado, a experiência já representa um aprendizado. Antes do Galo, o garoto também havia passado por uma avaliação no Vila Nova, em Goiânia.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Larissa Ricci.




