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Aposentada da CLDF perde R$ 1 milhão em fraude da "proteção de recursos"

Por Carlos Carone
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Uma ação coordenada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), conduzida pela 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), desmantelou nesta terça-feira (4/8) uma sofisticada teia criminosa especializada em golpes eletrônicos de alta precisão.

O principal estopim para a ofensiva policial foi o prejuízo devastador sofrido por uma servidora pública aposentada da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), que teve R$ 1,1 milhão drenados de suas contas bancárias.

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A operação mobilizou equipes no Distrito Federal, Paraná, Mato Grosso e Rio de Janeiro para o cumprimento de cinco mandados de prisão temporária e seis de busca e apreensão, acendendo o alerta máximo das autoridades para a crescente ousadia de quadrilhas que utilizam técnicas avançadas de engenharia social contra vítimas vulneráveis.

Golpe emocional

A investigação revelou um enredo metodicamente planejado para desarmar emocionalmente a ex-servidora da CLDF. O primeiro contato veio sob a fachada de uma simples ligação de uma concessionária de energia elétrica, informando sobre o ressarcimento de um suposto valor financeiro.

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Com a vítima engajada no atendimento, a quadrilha ativou o segundo andar da fraude, onde outros integrantes entraram em cena se passando por servidores do Banco Central e policiais federais. Sob forte pressão psicológica, os falsos agentes convenceram a idosa de que sua conta bancária estaria sendo utilizada por criminosos e que seu patrimônio corria risco iminente.

Sob o pretexto de proteger seus recursos, a mulher foi induzida a realizar sucessivas transferências bancárias para contas indicadas pelos golpistas, compartilhar a tela do próprio celular, alterar senhas e autorizar novos dispositivos em seus aplicativos bancários, resultando no prejuízo milionário.

Divisão de funções

A análise técnica dos investigadores da 2ª DP expôs uma engrenagem refinada e altamente estruturada, baseada na divisão de funções, no uso coordenado de diversas linhas telefônicas e no compartilhamento de equipamentos e contas bancárias destinadas à pulverização dos valores obtidos ilicitamente.

A perícia revelou que diferentes números empregados no golpe estavam vinculados aos mesmos aparelhos e que as chaves Pix utilizadas mantinham conexões diretas com contas mantidas por alguns dos suspeitos e empresas de fachada criadas especificamente para a ocultação de valores.

Ao todo, seis investigados foram identificados no esquema. Um dos alvos já estava recolhido na Penitenciária Milton Dias Moreira, em Japeri, no Rio de Janeiro, de onde continuava atuando diretamente na aplicação das fraudes.

Bloqueio de contas

A Polícia Civil destacou que a mesma metodologia e os mesmos números telefônicos foram empregados em outras ocorrências registradas no Distrito Federal, o que reforça a hipótese de atuação reiterada da organização criminosa na capital.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, as equipes buscaram apreender celulares, computadores, documentos e mídias digitais para colaborar na identificação de todos os integrantes do grupo e na recuperação dos recursos.

Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 1,1 milhão nas contas dos apontados como responsáveis por ocultar os recursos desviados. Os investigados respondem, em tese, pelos crimes de estelionato qualificado mediante fraude eletrônica, organização criminosa e lavagem de capitais, enquanto as investigações prosseguem para mapear outras possíveis vítimas do grupo.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Carlos Carone.