A decisão de André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada, é mais um capítulo da crise aberta no Supremo. Diante da demora do presidente Edson Fachin em levar ao plenário o confronto entre Mendonça e Alexandre de Moraes, o ministro relator do caso Master criou nesta terça (8/9) um fato consumado e fortaleceu sua posição.
Mendonça sustenta que foi alvo de monitoramento ilegal e acusa a PF de vazar relatórios usados por Moraes contra ele. Os documentos de fato eram internos da PF e não têm valor probatório. Há, porém, um ponto que o ministro também terá de explicar. O primeiro movimento que deu no dia primeiro de setembro quando divulgou o relatório da Policia Federal sobre Alexandre de Moraes.
Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles
Como a liminar continua válida, o pedido de vista prolonga uma situação delicada: Andrei foi afastado sem sequer ter sido formalmente notificado. A sessão está suspensa, mas a cautelar vai permanecer em vigor? Como antecipado pela coluna no Acorda, Metrópoles, a Advocacia-Geral da União recorreu da decisão e argumentou que a nomeação e o afastamento do diretor-geral da PF são atribuições do presidente da República.
Mendonça ainda citou como precedente o afastamento do ex-governador Ibaneis Rocha por Moraes. A comparação é frágil. Ibaneis foi retirado do cargo diante das graves suspeitas sobre a atuação do governo do Distrito Federal nos ataques de 8 de Janeiro e numa tentativa de golpe de estado. Agora, o chefe da PF é afastado por um ministro diretamente envolvido na disputa que deu origem à decisão.
O plenário terá que analisar as acusações contra Moraes e os questionamentos sobre a atuação de Mendonça como relator. Enquanto Fachin não reúne a Corte, cada lado amplia o conflito por conta própria.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Matheus Leitão.




