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As complicações por trás do afastamento de Andrei Rodrigues da PF

As complicações por trás do afastamento de Andrei Rodrigues da PF

A decisão de André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada, é mais um capítulo da crise aberta no Supremo. Diante da demora do presidente Edson Fachin em levar ao plenário o confronto entre Mendonça e Alexandre de Moraes, o ministro relator do caso Master criou nesta terça (8/9) um fato consumado e fortaleceu sua posição.

Mendonça sustenta que foi alvo de monitoramento ilegal e acusa a PF de vazar relatórios usados por Moraes contra ele. Os documentos de fato eram internos da PF e não têm valor probatório. Há, porém, um ponto que o ministro também terá de explicar. O primeiro movimento que deu no dia primeiro de setembro quando divulgou o relatório da Policia Federal sobre Alexandre de Moraes.

O documento resultou um pedido específico que o magistrado fez aos investigadores de procurar saber quem era o interlocutor de Daniel Vorcaro. Isso é trabalho de um chefe de investigação e não do juiz, ainda mais contra um colega de toga. A PF sustenta que Mendonça já sabia que a busca alcançaria Moraes; o ministro contesta essa versão.

A decisão de hoje, a de afastar Andrei Rodrigues, foi imediatamente enviada à Segunda Turma, numa estratégia política muito clara porque lá Mendonça tem a maioria dos votos. Gilmar Mendes pediu vista apenas cinco minutos depois do início do julgamento, impedindo a conclusão formal. Mesmo assim, Luiz Fux e Nunes Marques anteciparam os votos e formaram maioria com Mendonça.

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do Metrópoles

Como a liminar continua válida, o pedido de vista prolonga uma situação delicada: Andrei foi afastado sem sequer ter sido formalmente notificado. A sessão está suspensa, mas a cautelar vai permanecer em vigor? Como antecipado pela coluna no Acorda, Metrópoles, a Advocacia-Geral da União recorreu da decisão e argumentou que a nomeação e o afastamento do diretor-geral da PF são atribuições do presidente da República.

Mendonça ainda citou como precedente o afastamento do ex-governador Ibaneis Rocha por Moraes. A comparação é frágil. Ibaneis foi retirado do cargo diante das graves suspeitas sobre a atuação do governo do Distrito Federal nos ataques de 8 de Janeiro e numa tentativa de golpe de estado. Agora, o chefe da PF é afastado por um ministro diretamente envolvido na disputa que deu origem à decisão.

O plenário terá que analisar as acusações contra Moraes e os questionamentos sobre a atuação de Mendonça como relator. Enquanto Fachin não reúne a Corte, cada lado amplia o conflito por conta própria.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Matheus Leitão.

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