“Avenida Brasil” chega ao auge de Nina e Carminha, mas audiência de reprise não reage
Reprise mantém liderança, porém fica distante do fenômeno de 2019 e acende sinal de atenção para continuação prevista para 2027
A reprise de “Avenida Brasil” chegou a uma de suas fases mais emblemáticas, com Nina (Débora Falabella) assumindo o controle da mansão e submetendo Carminha (Adriana Esteves) às mesmas humilhações que sofreu no passado. As cenas continuam fortes, divertidas e muito bem interpretadas, mas ainda não provocaram a explosão de audiência esperada pela Globo.
Na segunda-feira (31), quando Nina se acomodou no sofá de Carminha, avisou que agora era a patroa e obrigou a vilã a servi-la, o “Vale a Pena Ver de Novo” marcou 15 pontos na Grande São Paulo. Houve uma reação, mas nada muito distante do desempenho que a reprise já vinha apresentando.
Carla Bittencourt
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“Avenida Brasil” acumula aproximadamente 14 pontos de média geral e 28% de participação. Seu recorde até agora é de 16,2 pontos, alcançado em 28 de abril. Na sexta-feira (28), justamente durante a sequência decisiva em que Nina reapareceu diante de Carminha, a novela havia registrado apenas 13,1 pontos, seu pior resultado numa sexta-feira em cerca de dois meses e meio.
Os números não configuram propriamente um desastre. A trama mantém a liderança isolada e está acima dos 13 pontos de média final de “Rainha da Sucata”, sua antecessora na faixa. O problema é a expectativa criada em torno de uma das novelas mais populares da história recente da Globo — e escolhida para preparar o público para uma continuação prevista para 2027.
A comparação mais incômoda é com a primeira reprise. “Avenida Brasil” voltou ao ar no “Vale a Pena Ver de Novo” entre outubro de 2019 e maio de 2020 e chegou a ultrapassar os 20 pontos em seus momentos mais importantes. Nas seis primeiras semanas daquela exibição, a novela acumulava 17,2 pontos. No mesmo período da reprise atual, tinha aproximadamente 13,5, uma diferença de 21%.
A explicação mais provável não está necessariamente na qualidade da obra. “Avenida Brasil” ainda funciona. O duelo entre Nina e Carminha continua magnético, Adriana Esteves permanece extraordinária e o texto de João Emanuel Carneiro mantém um ritmo difícil de encontrar até mesmo em muitas novelas inéditas.
Alguns elementos, principalmente em núcleos paralelos, podem ser vistos de outra maneira pelo público atual. Comportamentos machistas, estereótipos e o tratamento dado a determinadas relações ganharam um peso diferente 14 anos depois. Isso, porém, não parece suficiente para explicar sozinho o desempenho abaixo da expectativa. Se a novela tivesse envelhecido tão mal, provavelmente não haveria reação nem mesmo nos capítulos mais aguardados.
O problema maior é que “Avenida Brasil” nunca saiu completamente da memória do público. A primeira reprise terminou em maio de 2020. Apenas seis anos depois, a Globo decidiu exibi-la novamente na mesma faixa. Para uma história baseada em grandes revelações, chantagens e reviravoltas, o intervalo pode ter sido curto demais.
O telespectador não se lembra apenas de que Carminha é a grande vilã ou de que Nina é Rita. Muitas cenas permanecem vivas, são frequentemente compartilhadas nas redes sociais e estão disponíveis no Globoplay. “Me serve, vadia”, o congelamento com a música de suspense e as humilhações de Carminha não são lembranças distantes que precisavam ser redescobertas. Elas continuam presentes no imaginário popular e circulam como memes até hoje.
Há ainda uma diferença importante entre gostar de uma novela e se comprometer a revê-la diariamente durante vários meses. O público pode parar diante da televisão para acompanhar uma cena antológica, assistir ao trecho depois na internet ou buscar o capítulo no streaming, sem necessariamente criar o hábito de seguir toda a reprise.
A própria edição também não ajudou. A Globo optou por uma exibição longa, com poucos cortes, o que tornou mais demorada a chegada aos acontecimentos que realmente mobilizam o público. A trama estreou em março, mas somente no fim de agosto alcançou a fase em que Nina vira o jogo contra Carminha.
As interrupções e mudanças de horário provocadas pelas transmissões esportivas também prejudicaram a criação de hábito. Em diferentes momentos, “Avenida Brasil” deixou de ser exibida ou entrou no ar em horários alterados. Para uma faixa vespertina, que depende muito da rotina do telespectador, a instabilidade cobra seu preço.
A reprise, portanto, parece sofrer menos por um envelhecimento da novela e mais por uma combinação de excesso de exposição, intervalo curto desde a apresentação anterior, edição arrastada e fragmentação do consumo de televisão. “Avenida Brasil” continua sendo uma grande obra, mas talvez já não tenha o mesmo poder de novidade ou de reencontro.
O desempenho acende, sim, um alerta para a continuação preparada pela Globo. A reprise foi escolhida justamente para reaquecer a marca, reapresentar os personagens e criar expectativa para a nova história. Quando nem as cenas mais famosas conseguem levar a audiência a um patamar excepcional, existe o risco de a emissora confundir carinho e reconhecimento com desejo real de assistir a uma nova novela.
Isso não significa que a continuação esteja condenada. Uma produção inédita, com novos conflitos e o retorno de personagens queridos, terá outra capacidade de mobilização. Também será exibida no horário nobre, em condições completamente diferentes das enfrentadas por uma reprise à tarde.
O sinal dado pelo “Vale a Pena Ver de Novo”, porém, não deve ser ignorado. A força de Carminha, Nina e do universo do Divino continua existindo, mas já não basta sozinha. Para transformar novamente “Avenida Brasil” em um acontecimento, a continuação precisará oferecer uma história realmente nova — e não depender apenas da nostalgia provocada por cenas que o público conhece de cor.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Carla Bittencourt.




