
Os bajaus, também conhecidos como “ciganos do mar“, que vivem no Sudeste asiático, são conhecidos por sua capacidade de permanecer submersos por muito tempo. E agora, depois de muitos estudos conduzidos sobre esse povo, a ciência explica como ele fazem isso.
Melissa Ilardo foi uma das pesquisadoras responsáveis pelas descobertas sobre esse povo tão singular. De acordo com seus estudos, é provável que esses nativos tenham vivido milhares de anos em barcos, viajando de um lugar para outro nas águas do Sudeste asiático, ocasionalmente visitando terra firme.
A ciência explica que tudo que a tribo precisa vem diretamente do mar. Essas descobertas são mencionadas nos escritos de 1521, do explorador veneziano Antonio Pigafetta, que fez parte da primeira expedição que deu a volta ao mundo.
De acordo com informações da BBC, os bajaus conseguem nadar muito tempo debaixo d’água, desde 30 segundos até vários minutos, dependendo da profundidade, que chega a 60 metros. Surpreendentemente, eles mergulham com óculos de proteção de madeira improvisados e cintos pesados.
Ilardo detalhou o papel do baço neste processo. Ela chegou à conclusão de que há uma resposta humana que é desencadeada por prender a respiração e submergir. O batimento cardíaco desacelera, há vasoconstrição periférica, ou seja, os vasos sanguíneos se contraem nas extremidades para preservar o sangue oxigenado para os órgãos vitais, e a última coisa é a contração do baço. O órgão é o reservatório de glóbulos vermelhos oxigenados, então quando se contrai, traz mais oxigênio. É como um tanque de mergulho biológico. Essa explicação ajuda a entender o nado espetacular da etnia.
Com um aparelho de ultrassom portátil, um médico teve permissão para examinar o baço de um grupo de bajaus da Indonésia a fim de ter uma ideia clara de seu funcionamento. O resultado foi que mergulhadores e não mergulhadores da comunidade tinham baços de tamanho semelhante.
Isso mostra que esse alargamento não é uma simples consequência do mergulho regular.
Quando os pesquisadores compararam os dados com os de um grupo vizinho chamado Saluan, tradicionalmente fazendeiros, descobriram que o baço dos bajaus era 50% maior que o da média.
Os cientistas também encontraram uma base genética aparente para a diferença de tamanho. Eles compararam os genomas dos chineses das tribos bajau, saluan e han. Pela comparação, feita pelo professor Rasmus Nielsen, da Universidade da Califórnia (EUA) e coautor do estudo, descobriram-se 25 sítios do genoma que, no caso do bajaus, diferiam significativamente de outros grupos.
Um desses sítios é um gene conhecido como PDE10A, que se descobriu estar relacionado ao tamanho do baço deste grupo asiático, mesmo considerando outros fatores simultâneos, como idade, sexo e altura.
Em camundongos, o gene PDE10A é conhecido por regular a tireoide, que controla o tamanho do baço.
Isso apoia a ideia de que os bajaus podem ter evoluído para desenvolver um baço do tamanho necessário para mergulhos longos e frequentes, embora não fique claro há quanto tempo têm esse estilo de vida ou quando exatamente ocorreu a adaptação, segundo Ilardo.
No entanto, as informações disponíveis indicam que esse povo pertence a um ramo que emergiu do saluan, há cerca de 15.000 anos. Segundo os estudiosos, é “tempo suficiente” para desenvolver essa adaptação aquática.






