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BC prepara medidas para enfrentar endividamento das famílias

Por Gabriela Pereira
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

O Banco Central (BC) está preparando um conjunto de medidas para conter o avanço do endividamento das famílias brasileiras e mitigar riscos no sistema financeiro.

O alerta de preocupação foi formalizado na ata do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) na semana passada e reforçado por declarações de membros da autoridade monetária.

“Considerando a participação de modalidades de crédito mais onerosas na composição da dívida das famílias, já destacada como ponto de atenção nas últimas atas do Comef, o Banco Central prepara medidas voltadas à mitigação dos riscos decorrentes dessa dinâmica, de forma a fortalecer a sustentabilidade do crédito e a resiliência do sistema financeiro”, afirmou.

O objetivo é incentivar uma concessão de crédito mais responsável e desacelerar a expansão de modalidades emergenciais e de alto custo, como o cartão de crédito rotativo e o empréstimo pessoal sem garantia.

Segundo o presidente do BC, Gabriel Galípolo, a intenção das medidas será evitar que instituições cresçam de maneira artificial no mercado assumindo altos riscos sob a premissa de que o prejuízo final não ficará em seus próprios balanços.

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“O BC pretende assegurar um ambiente competitivo isonômico, coibindo práticas de empresas que tentam obter vantagens comerciais agindo além das melhores regras de governança e de prestação de serviços à população”, disse durante a Febraban Tech.

Segundo o BC, entre as principais frentes em análise pela está o aumento do Fator de Ponderação de Risco (FPR) para linhas de crédito consideradas de maior risco.

A alteração em estudo elevará a exigência de capital próprio que os bancos, incluindo grandes instituições tradicionais e fintechs, precisam manter em reserva para poder emprestar nessas modalidades.

Ao tornar a concessão de crédito mais cara para o próprio balanço das instituições, o BC busca frear a oferta agressiva de limites e incentivar uma revisão da gestão de risco por parte do mercado.

Além disso, o banco estuda iniciativas voltadas à transparência e à prevenção do uso indevido do crédito, exigindo que as instituições financeiras ofereçam clareza quanto às condições contratuais e orientem melhor os clientes sobre produtos adequados ao seu perfil.

“Essas medidas visam promover o reconhecimento tempestivo dos riscos, o acúmulo gradual de capital e condições mais sustentáveis de oferta de crédito aos tomadores”, ressalta o Comef.

O diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino, também falou sobre o assunto. Para ele, é preciso endereçar o endividamento nas linhas mais caras, ou seja, no cartão de crédito e no consignado.

“Eu acredito que, nos próximos meses, vamos ter algumas medidas relevantes para o sistema financeiro”, afirmou.

Endividamento

Dados do BC mostram que o endividamento das famílias chegou a 49,8% em junho de 2026. Além disso, segundo o BC, houve aumento na parcela de famílias com a renda comprometida. O índice teve elevação de maio para junho em 0,4 ponto percentual e subiu 1,7  p. p. em 12 meses, alcançando 28,9%.

Uma das razões que explica o alto endividamento, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, é o nível dos juros no país, atualmente em 14% ao ano.

De acordo com ele, esse cenário encarece o crédito, aperta o orçamento das famílias e dificulta o acesso das empresas a financiamentos, em um momento de aumento da inadimplência.

O BC também reforça o argumento, de acordo com a autoridade monetária, o aumento dos juros tende a pressionar ainda mais o orçamento de famílias e empresas, especialmente aquelas mais dependentes de linhas com taxas variáveis ou prazos mais curtos.

Entenda a situação dos juros no Brasil

  • A taxa básica de juros, a Selic, é o principal instrumento de controle da inflação;
  • Os integrantes do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic. Uma vez que a missão do BC é controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país;
  • Ao aumentar os juros, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país;
  • Dessa forma, o crédito fica mais caro e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para consumidores e produtores;
  • No entanto, um dos efeitos dos juros elevados é o endividamento das famílias, que não conseguem quitar suas dívidas.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Gabriela Pereira.