Um parto pélvico não é algo tão comum, quando o bebê nasce na posição contrária ao habitual — com que os pés ou as nádegas. E pélvico e empelicado ao mesmo tempo é ainda mais raro! E foi assim que o gêmeo Lucca chegou ao mundo. O bebê, que nasceu primeiro com os pezinhos, saiu da barriga da mãe, a dentista Thaís Prado, 35 anos, de Balneário Camboriú, Santa Catarina, com a bolsa amniótica ainda intacta.
Thais, que já era mãe de Gabriel, 14 anos, fruto de um relacionamento anterior, disse que o atual marido sempre sonhou em ser pai. “Nos planejamos muito para isso”, disse. “Minha gravidez foi tranquila até o sexto mês, mas como era uma gestação gemelar, vivenciei alguns sintomas diferentes, como contrações e um ganho de peso maior. Além disso, minha barriga cresceu muito mais! (risos)”, conta.
O parto, segundo a mãe, também foi planejado. “Dadas as minhas condições, o médico achou que eu poderia passar das 37 semanas, o que é difícil em uma gestação gemelar. Marcamos a cesariana para o dia 9 de abril, mas cerca de 45 dias antes, começamos a sonhar que seria especial se eles nascessem no dia 04/04/24. Tudo estava indo como o planejado até a noite do dia 4, quando comecei a sentir contrações mais intensas e mandei uma mensagem para o médico, que me aconselhou a ir para a maternidade fazer alguns exames. Com os resultados em mãos, o médico decidiu realizar o parto naquele momento. Quando nosso primeiro filho nasceu e a enfermeira escreveu a data no quadro de informações, percebemos que era o tão sonhado dia 04/04/24. Foi um momento muito especial para nós”, lembra.
“É verdadeiramente indescritível o sentimento que surge. No momento em que você segura esse pequeno ser tão frágil e, ao mesmo tempo, tão cheio de amor, uma conexão única e verdadeira se estabelece”, disse a mãe, sobre o nascimento dos filhos. “Foi um momento em que sentimos claramente a presença de Deus. As fotos e as lembranças desses minutos estarão guardadas para sempre em minha memória e do meu marido”, completou.
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Mãe e bebês já estão em casa e todos passam bem. “São lindos e estão saudáveis. São tranquilos, dormem bem e raramente choram. Se eu pudesse escrever uma história, com certeza não seria tão bela quanto os momentos que vivemos durante essa gestação gemelar”, finalizou.
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Sobre o parto empelicado
Na maioria dos casos, o saco amniótico, também conhecido como bolsa, se rompe durante o trabalho de parto, pouco depois de a mulher sentir as primeiras contrações. Porém, em algumas situações raras, isso não acontece e o bebê nasce ainda envolto pela fina, mas resistente membrana que o manteve imerso em líquido amniótico durante os nove meses de gestação. Os partos que ocorrem dessa maneira são conhecidos como empelicados e estima-se que aconteçam 1 vez a cada 80 mil nascimentos.
Segundo Paola Fasano, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz (SP), os médicos ainda não sabem explicar porque esse tipo de parto ocorre, mas ele não traz nenhum risco, nem para a mãe nem para o filho. Muito pelo contrário, tanto a bolsa quanto o líquido amniótico protegem o bebê das contrações muito fortes do útero, diminuindo os riscos de traumas por meio do canal vaginal.
Os partos empelicados podem ocorrer também durante cesáreas e são desejados pelos médicos quando a mãe tem alguma doença infecciosa, como HIV, pois o saco amniótico impede o contato direto do bebê com o sangue materno. Em diversas culturas e relatos que vêm desde os tempos medievais, nascer dentro do saco amniótico é considerado um sinal de boa sorte para o bebê.
Por Sabrina Ongaratto/ CRESCER




