POLITICA

Defesa afirma ao STF que Bolsonaro não autorizou vídeo com IA exibido em convenção do PL

Defesa afirma ao STF que Jair Bolsonaro não autorizou vídeo criado por inteligência artificial exibido em convenção do PL.

Redação Por

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que ele não autorizou o uso de sua imagem e voz em um vídeo produzido por inteligência artificial (IA), exibido durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL), que oficializou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato à Presidência da República.

O documento foi protocolado nesta quarta-feira (29) e também é assinado pelo próprio Flávio Bolsonaro, que integra a equipe de advogados do ex-presidente.

Vídeo criado por IA simulava apoio à candidatura de Flávio

Na gravação exibida durante a convenção, uma versão gerada por inteligência artificial de Jair Bolsonaro aparecia declarando apoio à candidatura presidencial do filho.

Na mensagem, o ex-presidente era retratado pedindo que os apoiadores recebessem Flávio Bolsonaro como seu sucessor político, afirmando que ele seria a pessoa escolhida para dar continuidade ao projeto político da família.

Após a divulgação do conteúdo, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou que a defesa esclarecesse se Bolsonaro havia autorizado a utilização de sua imagem e voz na produção.

Defesa cita restrições judiciais impostas a Bolsonaro

Na manifestação enviada ao Supremo, os advogados argumentam que Jair Bolsonaro não teria sequer condições de conceder autorização para a produção do vídeo em razão das medidas cautelares impostas pela Justiça.

Segundo a defesa, o ex-presidente cumpre uma suspensão temporária do direito de receber visitas, enquanto Flávio Bolsonaro está impedido de visitá-lo durante o período determinado pela decisão judicial.

Para os advogados, essas restrições demonstram que não houve contato capaz de permitir qualquer combinação prévia para a elaboração do material divulgado.

Moraes avalia possível descumprimento de decisão

Ao solicitar os esclarecimentos, Alexandre de Moraes destacou que uma eventual autorização de Bolsonaro para a divulgação do vídeo poderia representar descumprimento das medidas impostas durante o cumprimento da prisão domiciliar humanitária.

Na decisão, o ministro afirmou que, caso fosse comprovada a participação do ex-presidente na divulgação de conteúdo político-eleitoral, a situação poderia caracterizar uma nova violação das determinações judiciais e resultar na revisão das medidas atualmente em vigor.

Defesa diz que uso da imagem é prática recorrente

Apesar de negar autorização específica para o vídeo produzido por inteligência artificial, os advogados afirmaram que o uso de imagens públicas de Jair Bolsonaro por seus filhos ocorre há vários anos.

Segundo a defesa, fotografias, vídeos e discursos públicos do ex-presidente costumam ser utilizados em atividades político-partidárias da família, baseados na relação de confiança existente entre pai e filhos.

O STF deverá analisar os esclarecimentos apresentados para decidir se o caso terá novos desdobramentos no âmbito da investigação.

Por Samoel Andrade