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Bolsonaro se esquiva de Moraes, mas deixa Flávio pendurado

Por Ricardo Noblat
Bolsonaro se esquiva de Moraes, mas deixa Flávio pendurado

A tática de Jair Bolsonaro para escapar da alça de mira do Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou mais um capítulo de pura conveniência política. Em petição enviada ao ministro Alexandre de Moraes, o ex-presidente lavou as mãos e garantiu que não sabia nem autorizou o uso do vídeo de IA com sua imagem e voz lançada na convenção do PL.

A manobra é um clássico de seu repertório: para salvar a própria pele das sanções por descumprimento da prisão domiciliar, jogou a responsabilidade jurídica do vídeo inteiramente no colo do filho, o pré-candidato Flávio Bolsonaro, e do dono da festa, Valdemar Costa Neto.

Ocorre que o tiro para se esquivar de Moraes criou uma armadilha perfeita para a própria oposição. Como bem observou o jornalista João Bosco Rabello, do canal @portaldobosco, há um método claro na atuação da turma: provocar e esticar a corda contra as regras do jogo para colher reações da Justiça e, com isso, tentar respaldar a gasta tese de perseguição política. O problema é que, ao empurrar a autoria do vídeo para a organização do evento, o ex-presidente expôs Flávio a uma ilegalidade eleitoral cristalina.

A resolução do TSE sobre conteúdos sintéticos em campanhas é explícita e não abre brechas, nem mesmo quando há avisos na tela de que a imagem é uma simulação.

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do Metrópoles

A estratégia de se vitimizar repete o padrão do ex-presidente em episódios anteriores, desde a divulgação de cartas políticas até justificativas para descumprimentos de rotina da domiciliar. Mas o saldo para a candidatura do PL é desastroso. Na tentativa de livrar o pai de voltar ao regime fechado, a defesa acabou rifando o filho, deixando a chapa de Flávio pendurada no pincel e sob risco real de punições severas da Justiça Eleitoral antes mesmo de a campanha engrenar.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Ricardo Noblat.