O governo brasileiro anunciou na última quinta-feira investimentos de aproximadamente R$ 2,3 bilhões em inteligência artificial, com recursos destinados à expansão da infraestrutura de supercomputação do país. A estratégia inclui projetos no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Norte e parcerias envolvendo empresas da China e dos Estados Unidos.
A iniciativa pretende ampliar a capacidade brasileira para desenvolver modelos de inteligência artificial, aplicações para diferentes setores e tecnologias consideradas estratégicas para a economia e a soberania digital.
R$ 1,3 bilhão será destinado a projeto com empresas chinesas
A maior parcela dos recursos anunciados, de aproximadamente R$ 1,3 bilhão, será destinada a um projeto de infraestrutura de supercomputação no Rio de Janeiro.
O empreendimento será desenvolvido em parceria com as empresas chinesas Huawei e iFlytek.
Segundo o governo federal, a estrutura deverá ser utilizada principalmente para o desenvolvimento de modelos de linguagem de uso geral e aplicações de inteligência artificial voltadas a diferentes setores.
A previsão é que essa infraestrutura comece a operar a partir de julho do próximo ano.
Brasil prepara supercomputador entre os mais poderosos do mundo
Outros R$ 1 bilhão serão destinados a um edital para a construção de um novo supercomputador de inteligência artificial.
A expectativa do governo é que a máquina esteja entre as dez mais poderosas do mundo para processamento de inteligência artificial.
O equipamento será instalado no Rio Grande do Norte, escolhido, segundo o governo, por apresentar elevado potencial energético.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do anúncio dos investimentos no estado.
A previsão é que o supercomputador entre em operação até o final do próximo ano.
Nvidia é cotada para fornecer tecnologia
Embora o processo de contratação ainda dependa do edital e da disputa entre os fornecedores, integrantes do governo afirmaram, sob condição de anonimato, esperar que a norte-americana Nvidia seja vencedora da concorrência.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, já havia mencionado anteriormente a expectativa de que a empresa fornecesse a tecnologia para o projeto.
A Nvidia é uma das principais empresas mundiais no desenvolvimento de chips e sistemas utilizados em aplicações de inteligência artificial.
Governo quer evitar dependência de um único país
Ao anunciar os investimentos, o governo federal destacou que a estratégia não pretende concentrar a infraestrutura tecnológica brasileira em uma única empresa ou país.
“A estratégia não é depender de uma única empresa, tecnologia ou país”, afirmou o governo federal em nota.
A justificativa é ampliar a autonomia tecnológica do Brasil e fortalecer a capacidade nacional de processamento e armazenamento de dados.
Segundo o governo, os investimentos também buscam aumentar a soberania nacional sobre dados gerados por serviços públicos e privados brasileiros.
Brasil tenta equilibrar relações entre China e Estados Unidos
A distribuição dos projetos entre empresas chinesas e a possibilidade de participação de uma companhia norte-americana ocorre em um cenário de disputa global pela liderança tecnológica em inteligência artificial.
A China ampliou sua presença econômica no Brasil nos últimos anos e se consolidou como um dos principais parceiros comerciais do país.
Os Estados Unidos, por outro lado, continuam sendo uma das principais fontes de investimento estrangeiro direto no Brasil.
O governo Lula busca manter relações estratégicas com os dois países, evitando uma dependência tecnológica exclusiva de qualquer uma das potências.
Investimento ocorre em meio à disputa global pela IA
A inteligência artificial se tornou uma das principais áreas de competição tecnológica entre Estados Unidos e China.
A capacidade de desenvolver modelos avançados depende, entre outros fatores, de grandes estruturas de processamento, chips especializados, armazenamento de dados e acesso a energia.
Nesse cenário, a criação de grandes centros de supercomputação é considerada estratégica para países que pretendem desenvolver tecnologia própria e reduzir a dependência de infraestrutura estrangeira.
Recursos virão do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
Os investimentos anunciados serão financiados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
Os recursos serão liberados de forma parcelada, conforme o andamento dos projetos.
A utilização do fundo coloca a infraestrutura de inteligência artificial dentro da política brasileira de financiamento à ciência, tecnologia e inovação.
Governo também anuncia parceria com a Espanha
Além dos projetos de supercomputação, o governo brasileiro anunciou uma parceria com a Espanha para o desenvolvimento de chips utilizando a arquitetura aberta RISC-V.
A tecnologia permite o desenvolvimento de processadores a partir de uma arquitetura de conjunto de instruções aberta, utilizada em diferentes projetos de inovação tecnológica.
A iniciativa amplia a estratégia brasileira para além da infraestrutura de inteligência artificial e inclui também o desenvolvimento de componentes necessários para a cadeia tecnológica.
Brasil planeja serviço nacional de computação em nuvem
Outra frente anunciada pelo governo envolve a criação de um serviço brasileiro de computação em nuvem.
A proposta deverá ser desenvolvida por meio de parcerias público-privadas.
A iniciativa pretende ampliar a capacidade de processamento e armazenamento de dados e criar uma infraestrutura que possa atender tanto órgãos públicos quanto empresas.
Centro de transparência algorítmica também está previsto
O governo anunciou ainda a futura criação de um Centro Nacional de Transparência Algorítmica e Inteligência Artificial Confiável.
A estrutura deverá ser operada pelo Centro de Pesquisa Aplicada em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
O objetivo é ampliar a pesquisa e o acompanhamento dos impactos dos sistemas de inteligência artificial, especialmente em relação à transparência e à confiabilidade dos algoritmos.
Lula defende autonomia estratégica
O pacote de investimentos ocorre dentro da estratégia defendida pelo presidente Lula de ampliar a autonomia estratégica brasileira diante das grandes potências.
A política também ganha dimensão eleitoral em 2026.
O principal adversário de Lula na disputa presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), defende uma aproximação maior do Brasil com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caso seja eleito.
Nesse contexto, os investimentos em tecnologia também passam a integrar o debate sobre o posicionamento internacional do Brasil.
Supercomputação pode ampliar capacidade brasileira de inovação
Com os projetos anunciados, o governo pretende criar uma infraestrutura capaz de atender à crescente demanda por processamento de inteligência artificial no país.
A expectativa é que os novos equipamentos contribuam para pesquisas científicas, desenvolvimento de modelos de linguagem e aplicações específicas para setores da economia e dos serviços públicos.
O desafio será transformar os investimentos em capacidade tecnológica permanente, formando profissionais, estimulando empresas brasileiras e garantindo que a infraestrutura construída seja utilizada para ampliar a inovação nacional.




