No ano de 2023, o Brasil testemunhou 155 mortes de pessoas trans, sendo 145 casos de assassinatos e dez por suicídio após sofrer violências ou devido à invisibilidade trans. Este número representou um aumento de 10,7% em relação a 2022, quando foram registrados 131 casos.
Além disso, foram registradas pelo menos 69 tentativas de homicídio, sendo 66 contra travestis e mulheres trans, e três contra homens trans/pessoas transmasculinas.
A divulgação do dossiê tem como objetivo contribuir para a erradicação da transfobia, travestifobia, transfeminicídio e outras formas de violência direta e indireta contra a população trans no país. Bruna Benevides, secretária de Articulação Política da Antra, enfatiza que o dossiê visa assegurar o direito à vida das pessoas trans e destaca a importância de assumir o compromisso para garantir que essa população pare de ser assassinada.
O dossiê também menciona o monitoramento internacional feito pelo Trans Murder Monitoring (TMM), que aponta o Brasil como o país que mais mata pessoas trans no mundo há 15 anos consecutivos.
Em relação aos locais dos assassinatos, São Paulo foi o estado onde mais ocorreram casos, seguido pelo Rio de Janeiro, Ceará, Paraná e Minas Gerais. A maioria dos assassinatos ocorreu em locais públicos, principalmente em vias públicas desertas, durante o período noturno.
Quanto ao perfil das vítimas, a maioria das pessoas trans assassinadas no ano passado era jovem, negra e pobre. A prostituição foi apontada como a fonte de renda mais frequente entre as vítimas.
O dossiê destaca ainda a ausência de dados e a subnotificação de casos de violência LGBTfóbica, dificultando a realização de pesquisas e ações de enfrentamento da violência contra pessoas LGBTQIA+. A associação ressalta a necessidade de comprometimento dos órgãos de segurança pública em produzir dados sobre violência contra a comunidade trans.
O evento de apresentação do dossiê aconteceu como parte das celebrações dos 20 anos da Visibilidade Trans, promovido pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). Durante a cerimônia, foram destacadas a importância de políticas voltadas para a população LGBTQIA+ e entregue o Troféu Fernanda Benvenutty para iniciativas de promoção de direitos das pessoas trans ao longo dos últimos 20 anos.
Via Agência Brasil.





