Cotidiano

Cadeirante enfrenta lama e buracos em Rio Branco para chegar a rua pavimentada

Travessa da Invasão, no bairro Canaã, não tem pavimentação e fica tomada pela lama durante as chuvas.

Henrique Ribeiro Por Henrique Ribeiro

Um morador cadeirante do bairro Canaã, em Rio Branco, enfrenta diariamente dificuldades para sair de casa por causa das condições da rua onde vive. O cadeirante enfrenta lama e buracos em Rio Branco para percorrer cerca de um quilômetro até conseguir alcançar uma via pavimentada.

Cláudio Balduíno mora há mais de cinco anos no fim da Travessa da Invasão. A via não possui pavimentação e, quando chove, fica tomada pela lama. Em um dos trechos, ele precisa sair da cadeira de rodas, sentar no asfalto e puxar o equipamento para conseguir vencer um desnível.

Segundo o morador, o percurso pode levar mais de uma hora durante os períodos de chuva.

Chuva aumenta dificuldade para sair de casa

Cláudio contou que já sofreu quedas durante o trajeto e chegou a retornar para casa porque ficou coberto de lama.

De acordo com o relato, em dias de condições mais difíceis, o deslocamento pode levar entre uma hora e 15 minutos e uma hora e meia. A situação também teria feito com que ele deixasse de comparecer a consultas médicas e até a uma perícia do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A falta de drenagem também dificulta a circulação de veículos. Segundo o morador, há períodos em que carros não conseguem acessar a travessa.

Ele relatou ainda que, em uma emergência médica, precisou ser carregado pelo filho até a parte da rua onde havia condições de acesso.

Trecho termina com desnível

Um dos pontos mais complicados fica justamente na ligação entre a travessa e a avenida principal.

A rua termina em um trecho mais baixo que o asfalto, criando um desnível que impede a passagem direta da cadeira de rodas. Para superar o obstáculo, Cláudio precisa descer do equipamento, sentar no asfalto e puxá-lo até alcançar a parte mais alta.

O procedimento também o deixa exposto à circulação de veículos enquanto tenta concluir a travessia.

Morador diz que já pediu melhorias

Cláudio afirmou que já procurou o poder público para solicitar a abertura e pavimentação da via. Segundo ele, recebeu um documento informando que o pedido havia sido aprovado, mas ainda não houve avanço na obra definitiva.

O morador também relatou que, durante os anos em que vive no local, viu apenas uma intervenção da prefeitura na travessa, relacionada à abertura da via.

Com a aproximação do período chuvoso, ele teme que as condições de circulação piorem ainda mais.

Prefeitura anuncia intervenção paliativa

A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana (Seinfra) informou que esteve no local nesta sexta-feira (18), após tomar conhecimento da situação.

Segundo a pasta, a Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco (Emurb) foi autorizada a realizar uma intervenção paliativa na rua para melhorar as condições de tráfego.

O secretário Cid Ferreira afirmou ao g1 que a medida deverá garantir melhores condições de circulação enquanto uma solução definitiva não é executada. De acordo com a Seinfra, uma obra mais estruturante está prevista para o próximo ano, quando houver disponibilidade para sua realização.

A secretaria também informou que a intervenção ocorre enquanto o município organiza as linhas e o corredor de ônibus da região.

Acessibilidade ainda é desafio na região

A situação relatada por Cláudio evidencia as dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência em áreas sem pavimentação e infraestrutura adequada.

Além da mobilidade cotidiana, as condições da via podem interferir no acesso a serviços essenciais, como atendimento médico e transporte. No caso do morador, ele afirma que já deixou de comparecer a compromissos por não conseguir sair de casa em condições de segurança.

A intervenção anunciada pela prefeitura deve ser uma medida emergencial, enquanto a solução definitiva para a infraestrutura da via permanece prevista para uma etapa posterior.