A ex-esposa do empresário Ricardo Penna Guerreiro, de 46 anos, preso preventivamente por agredi-la e estuprá-la enquanto estava dopada por remédios, contou ao g1 que as câmeras que registraram os crimes foram instaladas pelo ex-marido porque eles viajavam muito no começo do relacionamento e ele desconfiava que a filha adolescente ou funcionários estavam furtando bebidas alcoólicas.
Juliana disse que o aplicativo de acesso às câmeras de monitoramento foi instalado do celular dela. “Eu sabia que a filmagem ficava por uma semana, sempre ia lá e via o que tinha acontecido. Mesmo com remédios eu chegava a ter noção do que tinha acontecido, só não tinha condições de ter uma luta corporal com ele”.
Ela afirmou que o ex-marido sabia que ela tinha as filmagens dos estupros. “Sempre tive muito medo e vergonha de contar tudo para amigas e família. É fácil julgar, [mas] eu estive ali, sei o quanto é difícil para essas mulheres denunciarem”.
A reportagem entrou em contato com a defesa de Ricardo, mas não obteve sucesso até a publicação desta matéria.
Agressões e estupro
A vítima contou ter começado a namorar com Ricardo em 2018 e casado com ele em 2019, mesmo ano em que nasceu o filho do casal. A princípio, segundo ela, o ex-marido aparentava ser amoroso, mas passado um tempo começaram as agressões verbais.
As agressões físicas tiveram início durante a gestação, logo no terceiro mês. Ao g1, ela revelou que naquele mesmo período começaram as ameaças de morte contra ela o bebê.
“Estava grávida de três meses e no dia do meu aniversário ele me agrediu. A gente saiu para comemorar e ele achou que eu estava rindo de uma piada que os amigos dele fizeram, mas eu nem tinha escutado. Ele me espancou de um quarto para o outro porque achou que eu estava rindo de uma piada”.
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Vítima afirmar ter sido agredida pelo ex em Praia Grande por diversas vezes — Foto: Arquivo pessoal
Depois disso, a vítima disse ter saído de casa, mas retornou sob a promessa de que não seria mais agredida. As humilhações no entanto continuaram. O casamento, segundo ela, estava ‘ladeira abaixo’ e piorou quando o filho nasceu. Ela disse ter sofrido depressão pós-parto, que foi agravada pela morte da mãe em 2021.
A vítima contou ter tentado se separar diante das agressões físicas contra ela e o filho. A mulher até chegou a fugir para o interior, mas Ricardo descobriu e foi atrás dela – quando bateu o carro, imagem que é possível ver abaixo.
Por g1 Santos




