Grupos de caminhoneiros de diferentes estados têm usado redes sociais para organizar uma paralisação nacional marcada para esta quinta-feira (4/12). A iniciativa, porém, não reúne consenso entre lideranças tradicionais do setor e entidades representativas. Na terça-feira (2/12), Franco Dal Maro, conhecido nas estradas como Chicão Caminhoneiro e ligado à União Nacional dos Caminhoneiros, esteve no Palácio do Planalto para formalizar um documento com reivindicações da categoria. Segundo ele, o movimento ganhou força após a falta de respostas do governo a demandas antigas.
Em vídeo divulgado após a entrega do material, Chicão afirmou que a mobilização está sendo construída dentro do que determina a Constituição. “Estamos fazendo dentro da legalidade, protocolando na Presidência da República, conforme estabelece o direito de greve citado na Constituição brasileira”, declarou.
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O documento protocolado reúne uma série de reivindicações voltadas à regulamentação da atividade, à proteção social dos trabalhadores e ao acesso a crédito. Entre os pontos: atualização do piso mínimo do frete, revisão do marco regulatório, facilitação para regularização de autônomos, linha de crédito de até R$ 200 mil mesmo para negativados, isenção de IPI para renovação da frota e expansão dos pontos de parada previstos em lei.
Há ainda medidas mais estruturais, como a defesa da criação de um sistema judiciário especializado em questões do transporte e a destinação de uma fatia das cargas de estatais para caminhoneiros autônomos.
Apoio político e convocação por anistia
Embora Chicão negue motivações partidárias e peça que a paralisação respeite a legislação e o direito de ir e vir, uma das vozes mais influentes ao lado do grupo tem ido em direção oposta.
Sebastião Coelho divulgou recentemente um vídeo no qual convoca apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro para uma paralisação geral pela aprovação de uma anistia ampla aos investigados pelos atos de 8 de janeiro. Ele afirmou que apenas serviços essenciais não poderiam parar. “Paralisação: este é o caminho que nos restou”, disse, apostando em uma adesão gradual de setores.
Categoria dividida
Apesar da movimentação nas redes, entidades de grande representatividade dizem não reconhecer formalmente a convocação. A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), que integra federações e sindicatos de todo o país, declarou que não recebeu nenhum comunicado oficial.
Outra figura conhecida do setor, Wallace Landim — o Chorão, liderança da greve de 2018 — também se distanciou da paralisação. Segundo ele, a iniciativa teria sido contaminada por disputas políticas.
“É uma pauta do transporte, sim, só que estão levantando esse movimento com a questão política, para defender político A ou B – no caso, para defender o Bolsonaro. Eu não posso usar a categoria para isso”, declarou em vídeo.
Paralização de 2018
A mobilização de 2018 ainda ecoa entre caminhoneiros e empresários. Naquele ano, a paralisação de dez dias provocou desabastecimento generalizado, impactou a produção industrial e interrompeu o fluxo de cargas em praticamente todo o território nacional. Após intensa pressão, o governo federal implementou subsídio ao diesel e criou a tabela de frete.
Agora, com parte da categoria novamente insatisfeita, cresce a tensão sobre o alcance da nova convocação — ainda indefinida, mas cercada por disputas internas e debates políticos que vão além das estradas.




