Nesta semana, uma notícia inesperada tomou conta das conversas que englobam o universo fashion: o Metropolitan Museum of Art (Met) anunciou o cancelamento da exposição que homenagearia o estilista John Galliano – que, no próximo ano, seria também tema do icônico Met Gala. O anúncio foi muito bem recebido pelo público, porém escancara uma nova realidade: o fim do “reinado” e do poder de Anna Wintour sobre a instituição e o mundo da moda.
Vem comigo entender!
O poder de Anna Wintour
Anna Wintour é um dos nomes mais influentes da história e do jornalismo de moda. Ela foi editora-chefe da Vogue de 1988 a 2025, período de quase quatro décadas em que ajudou a definir o que era considerado relevante no setor. Ainda, tinha o enorme poder para decidir quais designers, modelos, celebridades e tendências receberiam destaque nas páginas de uma das revistas mais lidas de todo o mundo.
Referência inquestionável em sua área de atuação, Wintour também está à frente do Met Gala, um dos eventos mais visados e exclusivos de todo o mundo. Desde 1995, ela preside o jantar beneficente e participa ativamente da escolha dos temas e dos convidados. Além disso, é também uma figura central do Costume Institute, departamento de moda do Met beneficiado pelo evento.
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do Metrópoles
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Stevie Nicks
Kevin Mazur/MG26/Getty Images for The Met Museum/Vogue via Getty Images2 de 15
Blake Lively é uma das presenças mais aguardadas do Met Gala
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Colman Domingo e Lewis Hamilton coanfitriões da edição de 2025, Superfine: Tailoring Black Style
Dia Dipasupil/Getty Images4 de 15
Visual é inspirado em deusa grega do período helenístico
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Zendaya no Met Gala
Dimitrios Kambouris/Getty Images for The Met Museum/Vogue6 de 15
Karan Johar, de Manish Malhotra, inspirado na arte de Raja Ravi Varma
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Emma Chamberlain no Met Gala 2024
John Shearer/WireImage via Getty Images 8 de 15
Cardi B, de Marc Jacobs, inspirada em The Doll (1937), de Hans Bellmer
TheStewartofNY/Getty Images9 de 15
A cantora Dua Lipa optou por um deslumbrante vestido branco, desfilado originalmente por Claudia Schiffer no desfile de alta costura da Chanel de 1992
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Anok Yai
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Audrey Nuna, de Robert Wun, faz referência a Number 26A, Black and White (1948), de Jackson Pollock
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Look de Kim Kardashian em 2025
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Bad Bunny, de Prada
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Teyana Taylor
Gilbert Flores/Variety via Getty Images15 de 15
Gigi Hadid com look sob medida da marca Thom Browne
Com mais de 50 anos no mercado, ela construiu um legado e uma reputação incontestáveis. De acordo com insiders, sua opinião era sempre a mais importante nos bastidores: “Era de conhecimento geral no setor que eles estavam fazendo isso porque Anna Wintour queria, e o que Anna Wintour quer, ela consegue”, disse Amy Odell, escritora da biografia de Anna Wintour, em uma publicação em seu Instagram.
O timing errado
Quando o tema foi anunciado, em julho deste ano, o museu recebeu diversas críticas por homenagear uma personalidade com um passado tão polêmico quanto o do estilista: ele já foi acusado de antissemitismo, foi expulso de um hotel em Londres e também demitido da Dior em 2011.
A escolha rapidamente provocou uma repercussão negativa nas redes sociais, com parte do público apontando um “timing ruim” diante do aumento de episódios de antissemitismo na Europa e nos Estados Unidos. Internautas questionaram se seria justo conceder ao designer o mesmo tipo de honraria reservada a Yves Saint Laurent (em 1983) e a Rei Kawakubo (em 2017), os únicos outros estilistas homenageados pelo Met ainda em vida.
Outra infeliz coincidência se deu quanto à data do evento, que é realizado sempre na primeira segunda-feira do mês de maio. A organização, no entanto, estudava a possibilidade de adiar o tapete vermelho para a semana seguinte, visto que a data original (3 de maio) coincidiria com o Yom HaShoah, também conhecido como Dia da Lembrança do Holocausto e do Heroísmo.
O fim da Era Wintour
O cancelamento da exposição de John Galliano foi visto, por muitos, como uma importante mensagem à Wintour e um sinal para o “fim do reinado” dela no mundo da moda. “Muitos ficaram perplexos com o quão inadequada essa exposição teria sido, e o Met tomou, sem dúvida, a decisão certa ao optar por não realizá-la”, acredita Odell.
“Mas o Met também está enviando uma mensagem muito importante para Anna Wintour. Ela não pode mais agir de forma arbitrária em relação ao museu”, afirma. “Ela vem insistindo e conseguindo o que quer há décadas, e o Met finalmente está dizendo ‘chega’.”
O cancelamento do Galliano, então, revela uma sociedade que não mais ficará calada diante das decisões de figuras historicamente incontestáveis da indústria da moda. Durante décadas, Wintour ajudou a decidir quem entrava e quem permanecia no centro desse universo. Desta vez, porém, sua defesa de uma homenagem controversa não foi suficiente para impedir que a instituição recuasse.
O “reinado” de Anna Wintour pode não ter chegado ao fim, mas o episódio evidencia uma mudança importante na relação de poder. Sua influência permanece enorme, mas já não parece ser, necessariamente, a palavra final.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Juliana Eichler.




