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Carta aberta de Samoel Andrade sobre inclusão e acessibilidade ganha força no Acre

Ativista acreano usa a própria trajetória para denunciar barreiras e defender que pessoas com deficiência tenham voz, autonomia e acesso efetivo a direitos.

Redação Por

 

No Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado nesta segunda-feira (21), o ativista acreano Samoel Andrade divulgou uma carta aberta sobre inclusão e acessibilidade, usando sua própria trajetória para defender direitos, autonomia, educação, trabalho, renda e participação social das pessoas com deficiência.

O texto foi compartilhado em grupos, contatos e redes sociais com uma mensagem central: inclusão não deve ser tratada como favor ou concessão, mas como direito.

A data de 21 de setembro foi instituída pela Lei nº 11.133/2005 e representa um marco de conscientização e mobilização pelos direitos das pessoas com deficiência.

“Minha deficiência não anulou meus sonhos”

Um dos trechos de maior destaque da carta parte diretamente da experiência pessoal de Samoel.

“Minha deficiência não anulou meus sonhos. Minha voz pode ter dificuldades para ser compreendida, mas minhas ideias continuam tendo valor.”

Ao falar sobre sua trajetória, o ativista relata sua experiência como pessoa com deficiência física e com dificuldades relacionadas à fala e à voz, além do uso de cadeira de rodas.

Segundo ele, ao longo da vida foi necessário encontrar diferentes maneiras de estudar, escrever e se comunicar.

A experiência pessoal é utilizada na carta não apenas como um relato de superação, mas como ponto de partida para discutir as barreiras que ainda dificultam a participação plena das pessoas com deficiência na sociedade.

“Por trás de cada número existe uma pessoa”

A carta também chama atenção para os números do Censo Demográfico 2022.

Segundo o IBGE, o Brasil tinha 14,4 milhões de pessoas com deficiência com dois anos ou mais de idade, o equivalente a aproximadamente 7,3% dessa população.

Para Samoel, entretanto, estatísticas não representam apenas números.

“Por trás de cada número existe uma pessoa.”

A frase resume uma das mensagens centrais do documento: por trás dos dados estão estudantes, trabalhadores, famílias e cidadãos que enfrentam diariamente diferentes barreiras para acessar serviços, estudar, trabalhar, circular e participar da sociedade.

Educação ainda é uma das principais preocupações

Outro ponto abordado na carta é a educação.

Samoel destaca a importância do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e reconhece pessoas que contribuíram para sua própria trajetória escolar.

A defesa é de que a inclusão educacional não se limite ao acesso à escola, mas envolva condições efetivas para que estudantes com deficiência possam aprender, desenvolver autonomia e participar da vida escolar.

O debate ganha dimensão nacional diante das diferenças educacionais identificadas pelo IBGE entre pessoas com e sem deficiência.

Trabalho, renda e autonomia também entram na discussão

A carta também aborda o acesso ao mercado de trabalho e à autonomia financeira.

A mensagem de Samoel é de que a pessoa com deficiência não deve ser enxergada exclusivamente pela necessidade de assistência.

“Quando tem condições, formação e oportunidade, também quer trabalhar, produzir, empreender, estudar, contribuir e construir sua própria independência.”

A defesa por oportunidades está relacionada a uma questão mais ampla: garantir que pessoas com deficiência tenham condições de exercer escolhas e participar economicamente da sociedade.

“Nada sobre nós sem nós”

Um dos princípios centrais da carta é a expressão “Nada sobre nós sem nós”.

A ideia defendida por Samoel é que pessoas com deficiência participem diretamente das discussões e decisões relacionadas às políticas públicas que afetam suas vidas.

O texto cita áreas como educação, saúde, acessibilidade, assistência social, transporte, esporte, cultura, emprego, renda e participação política.

Para o ativista, não basta que pessoas com deficiência sejam lembradas em campanhas, eventos ou discursos. Elas precisam ter espaço para apresentar propostas, questionar decisões e participar dos processos de construção das políticas públicas.

Inclusão também precisa ser discutida em Sena Madureira

A carta dedica atenção especial a Sena Madureira, município ligado à trajetória de Samoel.

No documento, ele defende a criação de espaços permanentes de diálogo entre pessoas com deficiência, famílias, professores, profissionais, estudantes, poder público e sociedade.

Entre os temas que, segundo a carta, precisam permanecer na agenda estão:

  • educação inclusiva;
  • saúde;
  • acessibilidade urbana;
  • transporte;
  • esporte;
  • cultura;
  • emprego e renda;
  • assistência social;
  • BPC;
  • participação política;
  • cidadania.

A proposta é que o debate não fique restrito a uma data específica ou a uma iniciativa isolada.

“Não queremos apenas ser convidados para a fotografia”

Outro trecho da carta questiona a diferença entre presença e participação.

“Inclusão é poder falar. É poder propor. É poder discordar. É poder decidir. É poder ocupar espaços.”

A mensagem reforça que colocar uma pessoa com deficiência em um evento ou cerimônia não significa, necessariamente, garantir inclusão.

Para Samoel, participar significa ter voz, autonomia e possibilidade real de influenciar decisões.

A luta não termina em 21 de setembro

A carta também faz uma reflexão sobre o significado do chamado discurso de “superação”.

Samoel afirma que pessoas com deficiência não devem ser obrigadas a provar constantemente sua força para terem seus direitos reconhecidos.

“A pessoa com deficiência não precisa ser transformada em heroína para ter seus direitos reconhecidos. Ela precisa ser tratada como cidadã.”

Nesse sentido, o texto defende que acessibilidade, políticas públicas, apoio, oportunidades e respeito são condições necessárias para ampliar a participação social.

O Ministério da Saúde também destaca, no contexto do Dia Nacional de Luta, a importância da inclusão, acessibilidade, autonomia, qualidade de vida e participação social das pessoas com deficiência.

“Minha luta não é discurso. É vivência”

Ao final da carta, Samoel afirma que pretende continuar utilizando sua experiência para defender políticas públicas e ampliar o debate sobre os direitos das pessoas com deficiência.

A mensagem final sintetiza o propósito do documento:

“Nada sobre nós sem nós. Nenhuma barreira deve ser maior do que o direito de viver com dignidade.”

Publicada justamente em 21 de setembro, a carta transforma uma data do calendário nacional em uma oportunidade para colocar no centro do debate temas como acessibilidade, educação, trabalho, renda, autonomia e participação cidadã.

Para Samoel, a luta por inclusão não deve existir somente durante o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. O desafio, segundo a mensagem deixada no documento, é fazer com que esses direitos continuem sendo discutidos e cobrados durante todo o ano.