Segue incerta a possibilidade de uma reunião entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva em Nova York, durante a 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Restando menos de uma semana para a abertura do evento, tanto a Casa Branca, quanto o Itamaraty, ainda não tem confirmações sobre o encontro.
81ª Assembleia Geral da ONU
- Assembleia Geral é o principal órgão deliberativo da ONU, com sessões anuais regulares sendo realizadas entre setembro e dezembro. Reuniões emergenciais podem ser convocadas caso haja necessidade.
- O órgão é composto pelos 193 países membros da ONU, que possuem direito a um voto cada nas discussões.
- Todos os anos, a Assembleia Geral realiza a Semana de Alto Nível com a presença de chefes de Estado e de governo dos países da ONU. O evento acontece em Nova York, e é uma oportunidade para lideranças discursarem.
- Neste ano, o tema do evento é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.
- Tradicionalmente, o Brasil é o primeiro país a discursar na Assembleia Geral da ONU.
Ao Metrópoles, um porta-voz da Casa Branca, ouvido reserva, afirmou que a agenda de reuniões do presidente norte-americano ainda não foi confirmada. Já o Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirmou que não há expectativas para um possível encontro formal entre os dois presidentes.
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do Metrópoles
Uma possível reunião de Trump e Lula na ONU pode ser a oportunidade de os dois líderes debaterem assuntos que têm tensionado a relação entre EUA e Brasil.
Desagrado
Nos últimos meses, a administração norte-americana adotou uma série de medidas que desagradou o governo brasileiro. Entre elas, a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, devido a demora do Itamaraty em conceder o aval diplomático para o embaixador designado por Trump para assumir a Embaixada dos EUA no Brasil.
Além disso, os EUA voltaram a aplicar tarifas contra exportações brasileiras, alegando praticas comerciais brasileiras desleais, e acusações sobre falhas no combate ao trabalho forçado. Somadas, as alíquotas chegam a casa dos 37,5%.
Outro ponto sensível na relação entre Washington e Brasília diz respeito a classificação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida é vista por autoridades brasileiras como uma maneira de os EUA deixarem brechas para possíveis ações — incluindo militares — contra o Brasil sob a bandeira de combate ao terrorismo.
Na terça-feira (16/9), Trump enviou um documento para o Congresso dos EUA onde cita os dois grupos criminosos brasileiros. No relatório, que aborda países facilitadores ou produtores de drogas, o líder norte-americano acusou o governo brasileiro de falhar no combate ao PCC e CV, e disse que o Brasil se tornou um “centro de distribuição global de cocaína”.
Ao mesmo tempo, o republicano elogiou governos de direita na América Latina, aliados aos interesses dos EUA na região, que estariam atuando para combater o tráfico internacional.
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Lula e Trump
Alice Rabello2 de 6arte/ Metropóles3 de 6
Presidente Lula em reunião com o presidente dos EUA, Donald Trump
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Lula e Trump em foto oficial na Casa Branca
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Lula e Trump em encontro na Casa Branca
Ricardo Stuckert/Presidência da República
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Donald Trump e Lula
Andrew Harnik/Getty Images
Participação de Lula na Assembleia Geral da ONU
Lula embarca para Nova York no próximo domingo (20/9). A previsão, contudo, é de que a participação do presidente brasileiro na Assembleia Geral da ONU seja menor do que em edições anteriores por conta da campanha eleitoral deste ano.
A única brecha para reuniões com outros chefes de Estado e autoridades é na segunda-feira (21/9). Até o momento, apenas um encontro com o secretário-geral da ONU, António Guterres, está agendado. O prefeito de NY, Zohran Mamdani, convidou Lula para bilateral durante, mas o assunto ainda é analisado pelo governo brasileiro.
Depois de realizar o discurso de abertura do evento, na manhã de terça-feira (22/9), Lula a retorna ao Brasil.
A expectativa do Itamaraty é de que temas como a não interferência de países em assuntos internos de outras nações, e a defesa do multilateralismo, negociações de paz e do direito internacional humanitário.
Lula também deve abordar a reforma no Conselho de Segurança da ONU, e cobrar paz aos cinco membros permanentes do órgão — EUA, China, Rússia, França, Reino Unido.
No restante das atividades da Semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU, o Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A previsão é de que o chanceler participe de uma série de reuniões e eventos em NY.
Os ministros da Gestão e Inovação, dos Povos Indígenas e da Igualdade Racial também vão participar de atividades durante o evento.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Junio Silva.




