Conforme apontam as investigações da Polícia Civil de Roraima (PCRR), o casal de pastores evangélicos Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamyla Moraes de Souza, de 24, indiciado por uma série de crimes sexuais contra adolescentes, costumava exibir às vítimas vídeos dos dois mantendo relações sexuais.
Uma das vítimas contou aos investigadores que, em certa ocasião, quando ela tinha 17 anos, Wenderson lhe deu uma carona e parou em uma rua, afirmando que faria uma “brincadeira” de adivinhar e mostrar as cores das peças íntimas. Ela teria negado participar, o que deixou o suspeito irritado.
Ela então teria tirado a blusa dela, se tocado e, posteriormente, exibido vídeos em que ele aparecia mantendo relações sexuais com Arielly.
Após os atos, ele teria feito uma transferência via Pix para a vítima.
Entre no canal de WhatsApp
da Coluna Mirelle Pinheiro
As investigações sobre a série de crimes foram conduzidas pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) e tiveram início após o registro de um boletim de ocorrência, em abril deste ano, envolvendo uma adolescente de 14 anos.
Ao longo da apuração, outras cinco vítimas, com idades entre 12 e 17 anos, procuraram a Polícia Civil relatando situações semelhantes.
Conforme aponta a investigação, o casal utilizava a posição de liderança religiosa para conquistar a confiança das adolescentes e de seus familiares.
2 imagens1 de 2
Casal de pastores é indiciado por estuprar 6 adolescentes da igreja
Reprodução 2 de 2
Uma terceira pessoa foi indiciada por destruir um celular onde continha provas
Material cedido ao Metrópoles
Intimidação
A Polícia Civil afirma que os investigados recorriam a argumentos de natureza religiosa para manter as vítimas sob influência e, em alguns casos, ofereciam dinheiro, transferências via Pix e outras vantagens para impedir que os abusos fossem denunciados.
Segundo a delegada Kamilla Basto, responsável pelo inquérito, a estrutura de autoridade exercida pelos investigados contribuiu para dificultar a revelação dos fatos.
As investigações apontam ainda que os fiéis eram desencorajados a questionar os líderes da igreja.
A Polícia Civil aponta que documentos da própria instituição religiosa previam punições para integrantes que promovessem “rebeldia” ou “dissidência” contra a autoridade da igreja, circunstância que, na avaliação da investigação, reforçava o ambiente de intimidação.
No relatório final, a Polícia Civil destaca que não houve consentimento livre das vítimas e sustenta que os atos ocorreram em um contexto de manipulação psicológica, abuso de autoridade religiosa e coerção, circunstâncias que, segundo a corporação, afastam qualquer alegação de voluntariedade.
Com a conclusão do inquérito, Wenderson Lima foi indiciado pelos crimes de estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança, adolescente ou pessoa vulnerável, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica.
Já Arielly Kamyla responderá, em tese, pelos crimes de estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual.
Uma terceira pessoa, uma mulher de 20 anos, foi indiciada por fraude processual e corrupção de menores. Segundo a investigação, ela teria influenciado duas adolescentes a destruir um celular que continha provas dos supostos crimes.
O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público. A delegada responsável pelo caso também representou pela prisão preventiva dos dois líderes religiosos, pedido que será analisado pela Justiça.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Letícia Guedes.





