As recentes revelações do rumoroso Caso Master deflagraram, nos últimos dias, uma espécie de operação de “salve-se quem puder” envolvendo diferentes grupos de poder em Brasília.
À medida que novas mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro vêm a público e ampliam o alcance da crise, esses grupos intensificam os movimentos para tentar preservar seus integrantes.
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto4 de 4
O ministro do STF André Mendonça
LUIS NOVA/METRÓPOLES
@LuisGustavoNova
Os três foram citados nas mensagens do dono do Banco Master que vieram à tona nos últimos dias. E, diante do desgaste, passaram a atuar para tentar sair da crise o menos arranhados possível.
Entre no canal de WhatsApp
da Coluna Igor Gadelha
Nesse movimento, contam com um aliado de peso: Gilmar Mendes, atual decano do STF e uma das figuras mais experientes de Brasília quando o assunto é gestão de crises políticas e institucionais.
Embora não tenha sido diretamente mencionado nas mensagens, Gilmar tem uma relação próxima com Gonet, de quem já foi sócio. O ministro foi um dos padrinhos da indicação do procurador para a PGR.
Gilmar também olha para o próprio futuro do Supremo e para os próximos anos que ainda terá na Corte. Não lhe interessa, portanto, que uma crise que enfraqueça seus aliados dentro do tribunal.
Lula é cobrado
Na tentativa de se blindar, o grupo de Moraes cobrou apoio do presidente Lula. Para isso, lembraram que o Supremo foi um dos principais pilares de sustentação da governabilidade do terceiro mandato do petista.
Lula, porém, não reagiu como o grupo de Moraes esperava. Sem citar nomes, o petista publicou um vídeo defendendo que “é fundamental que se investigue todo mundo sem blindagem, doa a quem doer”.
A menos de um mês para o primeiro turno, a reação de Lula foi baseada no cálculo de que ele não poderia ser omisso neste momento, sob pena de o episódio trazer prejuízos para sua campanha à reeleição.
5 imagens1 de 5
Presidente Lula durante audiência sobre bets no Palácio do Planalto
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto2 de 5
Ministro da AGU, Jorge Messias
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES3 de 54 de 5LUIS NOVA/METRÓPOLES
@LuisGustavoNova5 de 5
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Dias
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Mendonça e Messias viram alvo
Em outra frente, o grupo ligado a Moraes decidiu partir para cima de André Mendonça. Foi o ministro quem autorizou o fim do sigilo que permitiu que as mensagens de Vorcaro viessem a público.
Na noite da quinta-feira (3/9), Moraes pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, para investigar Mendonça pela prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade.
Moraes pede ainda que o colega seja investigado por favorecimento a determinados grupos políticos. Todos os crimes, segundo ele, teriam sido praticados no exercício da relatoria do Caso Master e da Farra do INSS.
A reação do grupo de Moraes também atingiu Jorge Messias. O advogado-geral da União passou a ser alvo de críticas da cúpula da PF, que o acusa de omissão por não ter reagido às decisões de Mendonça contra a corporação.
Receba no seu email as notícias da coluna Igor Gadelha
Frequência de envio: Diário
Ver todasVer todas as newsletters
Messias, que é próximo de Mendonça, tem uma leitura diferente. Ele vê nas críticas um movimento deliberado para desgastá-lo e, ao mesmo tempo, preservar Gonet, que também tem poder de controle externo da PF.
O temor do advogado-geral da União é de que esse tiroteio todo acabe prejudicando seus planos de finalmente ser aprovado no Senado, caso o presidente Lula o indique novamente ao Supremo, como promete.
Fachin mede os passos da reação
No meio desse fogo cruzado, Edson Fachin mede cada passo de sua reação. O presidente do STF tenta conciliar a difícil missão de salvar a imagem do tribunal, sem, no entanto, manchar sua própria reputação.
Enquanto isso, há ainda um personagem que tenta escapar ileso ao tiroteio: o ministro da Justiça e da Segurança Pública do governo Lula, Wellington César Lima e Silva.
Titular de uma pasta diretamente ligada aos atores da crise, Wellington tem adotado uma postura discreta. Evita se expor, falar sobre o assunto ou entrar publicamente nas disputas entre PF, STF, PGR e governo.
O resultado é um cenário de Brasília em modo “salve-se quem puder”. Cada grupo tenta construir sua própria narrativa, transferir responsabilidades e evitar que o Caso Master atinja seus integrantes.
Quanto mais personagens entram nessa disputa, mais difícil fica separar a investigação propriamente dita da guerra de versões e da luta política pela sobrevivência.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Igor Gadelha.




