O Acre registrou uma forte alta nos casos prováveis de dengue mais que dobram no Acre em agosto de 2026, segundo o levantamento epidemiológico apresentado. Foram 291 registros no mês, contra 139 em agosto de 2025, o que representa aumento de 109,4%. Em agosto de 2024, haviam sido registrados 89 casos.
Alta acontece após meses de queda
Apesar do avanço registrado em agosto, o cenário acumulado do ano ainda apresenta redução expressiva em relação ao período anterior. O levantamento aponta 1.887 casos prováveis de dengue em 2026, com coeficiente de incidência de 213,4 casos por 100 mil habitantes.
Até o momento, não foram registrados óbitos confirmados ou em investigação por dengue no estado. A taxa de letalidade permanece em 0%.
A evolução mensal, entretanto, mostra uma mudança importante no comportamento da doença ao longo de 2026.
Em janeiro, o Acre teve 324 casos prováveis de dengue, enquanto no mesmo mês de 2025 foram registrados 2.240 casos e, em 2024, 2.019.
Em fevereiro, foram 287 casos em 2026, contra 2.233 em 2025 e 671 em 2024.
A diferença permaneceu em março, quando o estado contabilizou 226 casos, ante 1.436 no ano anterior e 456 em 2024.
Em abril, foram registrados 217 casos prováveis, enquanto 2025 teve 722 e 2024, 335.
Agosto muda trajetória da dengue no Acre
Em maio, o Acre registrou 213 casos prováveis de dengue, contra 483 em 2025 e 191 em 2024. Em junho, foram 132 casos, diante de 243 no ano passado e 89 em 2024.
A distância entre os números começou a diminuir em julho. Naquele mês, foram 166 casos em 2026, contra 182 em 2025 e 95 em 2024.
O cenário mudou de forma mais evidente em agosto.
Os 291 casos registrados neste ano superaram em mais de duas vezes os 139 casos contabilizados no mesmo mês de 2025. Na comparação com agosto de 2024, quando foram registrados 89 casos, a alta chega a aproximadamente 227%.
Em setembro, o Acre contabiliza 58 casos até o momento. Como o mês ainda está em andamento, esse número não deve ser comparado diretamente com os totais fechados de setembro dos anos anteriores, que foram de 126 casos em 2024 e 163 em 2025.
Primeiro semestre registrou forte redução
A diferença entre 2025 e 2026 foi especialmente acentuada durante o primeiro semestre.
Nos três primeiros meses de 2025, os registros mensais apresentados somaram 5.909 casos prováveis. No mesmo período de 2026, foram 837.
Entre abril e junho, o ano de 2025 contabilizou 1.448 registros, enquanto 2026 teve 562.
Já no terceiro trimestre, a curva começou a se inverter. Somando julho e agosto, 2026 chegou a 457 casos, acima dos 321 registrados no mesmo período de 2025 e dos 184 contabilizados em 2024.
Os dados apontam, portanto, para uma mudança no comportamento da dengue no Acre: depois de uma forte redução nos primeiros meses do ano, as notificações passaram a crescer no segundo semestre, com agosto concentrando a principal alta.
Perfil dos casos prováveis
Os casos prováveis registrados em 2026 apresentam distribuição igual entre homens e mulheres, com 50% das notificações para cada sexo.
Entre os registros classificados por raça/cor, a população parda representa 88,2% dos casos. Na sequência aparecem pessoas brancas, com 6,8%, enquanto indígenas e pretas representam 1,3% cada.
A população amarela corresponde a 0,5% dos registros. Em 1,9% dos casos, a informação de raça/cor não foi informada ou foi considerada ignorada.
Jovens adultos concentram maior incidência
A faixa etária de 20 a 29 anos apresenta os maiores coeficientes de incidência entre os grupos analisados.
Entre homens de 20 a 29 anos, o índice é de 20,1 casos por 100 mil habitantes. Entre mulheres da mesma faixa etária, chega a 23,6 casos por 100 mil.
Depois aparecem as pessoas de 30 a 39 anos, com índices de 14,8 entre homens e 15,0 entre mulheres.
Na faixa de 40 a 49 anos, os coeficientes são de 14,7 casos por 100 mil habitantes entre homens e 14,4 entre mulheres.
Entre adolescentes de 15 a 19 anos, os índices chegam a 10,2 entre homens e 11,0 entre mulheres. Já na faixa de 10 a 14 anos, são registrados 9,7 casos por 100 mil entre meninos e 7,6 entre meninas.
Os menores índices aparecem entre crianças menores de um ano, com 2,8 casos por 100 mil habitantes entre meninos e 2,7 entre meninas, além das faixas etárias mais avançadas.
Cenário exige atenção à prevenção
Embora o acumulado de 2026 ainda esteja abaixo dos números observados em 2025, a alta registrada em agosto muda o sinal da curva epidemiológica no Acre.
O aumento reforça a necessidade de atenção aos possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão da dengue, especialmente em períodos em que as notificações começam a apresentar crescimento.
A evolução dos registros nos próximos meses será fundamental para indicar se o avanço observado em agosto representa uma elevação pontual ou o início de uma tendência de crescimento das notificações no estado.




