O relato do jornalista Chico Pinheiro ao revelar que enfrentou um câncer no intestino acendeu um importante alerta sobre os sinais da doença, que muitas vezes passam despercebidos. Durante entrevista com o cantor e compositor Zeca Baleiro no programa “Chico Pinheiro Entrevista”, o comunicador contou que descobriu o tumor ainda no início, mas enfrentou complicações após uma cirurgia robótica e precisou passar dias internado na UTI. Após o desabafo do jornalista, o portal LeoDias conversou com o cirurgião do aparelho digestivo e especialista em cirurgia robótica Dr. Leonardo Emílio da Silva, que explicou os principais sintomas, fatores de risco e formas de prevenção do câncer colorretal.
Segundo o médico, um dos grandes desafios da doença é justamente o fato de os sintomas iniciais serem ignorados ou confundidos com problemas menos graves.
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Dr. Leonardo Emílio explicou ainda que alterações persistentes no funcionamento intestinal merecem atenção e devem ser investigadas. “Sim. Mudanças persistentes no funcionamento intestinal podem ser um sinal de alerta, principalmente quando duram de duas a quatro semanas.
É importante procurar um médico quando houver: prisão de ventre ou diarreia persistente;
alternância entre diarreia e constipação; fezes mais finas que o habitual; dor abdominal frequente;
sensação de evacuação incompleta; perda de peso inexplicada. Esses sintomas não significam que seja sempre um câncer, mas precisam ser investigados.”
Outro sintoma que nunca deve ser considerado normal, segundo o especialista, é a presença de sangue nas fezes. “Sangue nas fezes nunca deve ser considerado normal. Embora muitas vezes esteja relacionado a doenças benignas, como hemorroidas e fissuras anais, ele também pode ser um sinal de câncer colorretal. Além do câncer, o sangramento pode ocorrer em: hemorroidas; fissuras anais; diverticulite; pólipos intestinais; doença inflamatória intestinal, como retocolite ulcerativa e doença de Crohn; infecções intestinais. Por isso, qualquer episódio de sangramento deve ser avaliado por um médico.”
O cirurgião também destacou que, embora o risco aumente após os 50 anos, os casos entre pessoas mais jovens têm crescido de forma preocupante. “O risco aumenta principalmente após os 50 anos. No entanto, universidades americanas e sociedades médicas têm observado um crescimento preocupante dos casos em pessoas mais jovens, especialmente abaixo dos 50 anoss. Por esse motivo, as diretrizes americanas passaram a recomendar o início do rastreamento aos 45 anos para a população geral.”
Sobre os fatores de risco, o médico ressaltou que alimentação e estilo de vida influenciam diretamente no desenvolvimento da doença. “Sim, alimentação e estilo de vida influenciam diretamente. Entre os principais fatores de risco estão: obesidade; sedentarismo; tabagismo; consumo excessivo de álcool; dieta rica em carnes processadas e ultraprocessados; baixa ingestão de fibras, frutas e vegetais. Além disso, diabetes, doenças inflamatórias intestinais e histórico familiar também aumentam o risco.”
O histórico familiar, inclusive, exige atenção redobrada. “Sim. Pessoas com parentes de primeiro grau, como pai, mãe ou irmãos com câncer colorretal possuem maior risco de desenvolver a doença. Nesses casos, os exames preventivos geralmente devem começar mais cedo, muitas vezes aos 40 anos ou até 10 anos antes da idade em que o familiar recebeu o diagnóstico. A avaliação individualizada com um especialista é fundamental.”
Quando o assunto é diagnóstico precoce, a colonoscopia segue sendo considerada o principal exame. “A colonoscopia continua sendo o principal exame para prevenção e diagnóstico precoce do câncer colorretal. Ela permite visualizar todo o intestino grosso e retirar pólipos antes que eles se transformem em câncer. Além dela, outros exames podem ajudar: pesquisa de sangue oculto nas fezes; colonografia por tomografia; testes fecais de DNA. Mas a colonoscopia ainda é considerada o padrão-ouro.”
Apesar do receio de muitos pacientes, Leonardo Emílio reforçou que a colonoscopia é segura e tem papel fundamental na prevenção da doença. “A colonoscopia é realizada com sedação, de forma confortável e segura. Durante o exame, o médico introduz um aparelho flexível com câmera pelo intestino para avaliar a mucosa intestinal. O grande diferencial é que o exame não serve apenas para diagnosticar: ele também previne o câncer. Isso porque pólipos podem ser retirados durante o procedimento, evitando sua transformação em tumores malignos. Estudos americanos mostram que a colonoscopia reduz significativamente a mortalidade pelo câncer colorretal.”
O especialista também destacou que as chances de cura são elevadas quando o diagnóstico ocorre precocemente. “Quando diagnosticado precocemente, o câncer colorretal pode ter taxas de cura acima de 90%. Esse é exatamente o motivo pelo qual o rastreamento é tão importante. Tumores identificados nas fases iniciais costumam exigir tratamentos menos agressivos e apresentam resultados muito melhores.”
Já o tratamento varia conforme o estágio da doença. “Sim. O tratamento depende diretamente do estágio do tumor. Nos casos iniciais, muitas vezes a cirurgia é suficiente e pode ser curativa. Em situações mais avançadas, pode ser necessário associar: quimioterapia; radioterapia; terapias-alvo; imunoterapia. A cirurgia continua sendo uma das principais formas de tratamento e, atualmente, técnicas minimamente invasivas e robóticas têm proporcionado recuperação mais rápida e menor dor pós-operatória em muitos pacientes.”
Por fim, o médico reforçou que grande parte dos casos pode ser evitada com hábitos saudáveis e exames preventivos. “Sim. Grande parte dos casos pode ser prevenida com hábitos saudáveis e exames preventivos. As principais recomendações incluem: alimentação rica em fibras, frutas e verduras; prática regular de atividade física; controle do peso; evitar cigarro; reduzir o consumo de álcool; diminuir o consumo de alimentos ultraprocessados e carnes processadas; realizar exames preventivos na idade adequada.”
Ele ainda deixou um alerta importante sobre a necessidade de realizar o rastreamento mesmo sem sintomas aparentes. “Sim. As sociedades médicas americanas recomendam que pessoas de risco habitual iniciem o rastreamento do câncer colorretal aos 45 anos, mesmo sem sintomas. Dependendo do exame realizado e dos achados encontrados, o acompanhamento será definido pelo médico. Quem possui histórico familiar ou fatores de risco pode precisar iniciar os exames antes dessa idade.”
Por fim, Leonardo Emílio fez um apelo sobre a importância do diagnóstico precoce. “O principal recado é: não espere os sintomas aparecerem. O câncer de intestino pode ser silencioso no início, mas, quando descoberto precocemente, apresenta altíssimas chances de cura. Muitas vezes, a colonoscopia consegue evitar que o câncer surja, retirando pólipos antes que se tornem malignos.
Cuidar da saúde preventiva salva vidas. O preconceito, o medo e o adiamento dos exames ainda são grandes inimigos do diagnóstico precoce.”




