As chuvas atípicas em Rio Branco em setembro têm chamado atenção pelo modo como vêm ocorrendo na capital acreana. Embora a frequência das precipitações esteja diferente do padrão observado durante a estiagem, o volume acumulado permanece próximo da média histórica esperada para o mês.
Segundo dados apresentados pela Defesa Civil Municipal, Rio Branco acumulava 76,8 milímetros de chuva, enquanto a média histórica para setembro é de aproximadamente 92 milímetros. Com novas precipitações previstas, o acumulado poderia se aproximar ou até ultrapassar a média mensal.
Frequência das chuvas é considerada fora do padrão
O que chama a atenção das autoridades não é apenas a quantidade de chuva, mas principalmente a maneira como ela vem sendo distribuída ao longo do mês.
O coordenador municipal da Defesa Civil, tenente-coronel Cláudio Falcão, afirmou que as precipitações estão ocorrendo de forma mais regular do que seria esperado para este período.
O cenário é diferente do observado nos meses anteriores, quando longos períodos sem chuva contribuíram para a manutenção da estiagem na capital.
Dados meteorológicos também mostram uma evolução significativa no acumulado de setembro. Até o dia 20, uma estação automática em Rio Branco registrava 87,6 milímetros, enquanto a média histórica para o mês era de 93,6 milímetros.
Chuva não significa fim da estiagem
Apesar da mudança no padrão das precipitações, a Defesa Civil alerta que o aumento das chuvas não deve ser interpretado automaticamente como o fim da estiagem enfrentada pela região.
A avaliação é de que os volumes registrados neste momento podem não representar uma recuperação permanente das condições hídricas. Existe a possibilidade de períodos com menor quantidade de chuva nos próximos meses, especialmente durante outubro e novembro.
Essa avaliação ganha importância porque os meses anteriores foram marcados por baixos volumes de precipitação. Em agosto, por exemplo, Rio Branco registrou cerca de 48 milímetros, embora a média histórica mensal estivesse próxima desse valor; a distribuição, porém, foi bastante concentrada, com a maior parte da chuva ocorrendo em poucos dias.
Rio Acre continua em vazante
Mesmo com a ocorrência de novas chuvas, o nível do Rio Acre permanecia baixo.
Em boletim divulgado pela Defesa Civil na manhã de quarta-feira (23), o manancial estava em 2,11 metros, às 5h17, mantendo tendência de vazante.
O nível estava muito abaixo das cotas utilizadas como referência para situações de alerta. A cota de alerta é de 13,50 metros, enquanto a de transbordamento está estabelecida em 14 metros.
Setembro também teve temperaturas elevadas
O comportamento das chuvas ocorre em meio a um mês que também registrou temperaturas elevadas na capital.
No início de setembro, Rio Branco chegou a registrar 38,1°C, além de baixa umidade relativa do ar. O cenário de calor e períodos de pouca chuva contribuiu para a manutenção das condições de estiagem observadas no estado.
Nos últimos dias, entretanto, a chegada de uma nova onda de ar frio alterou as condições meteorológicas. A previsão indicava possibilidade de chuvas fortes, ventanias e descargas elétricas em diferentes áreas do Acre.
Previsão indica novas mudanças no tempo
A chegada de uma nova onda polar ao Acre na quarta-feira (23) poderia provocar mudanças nas condições do tempo, especialmente nas regiões leste e sul do estado.
Segundo previsão divulgada pelo pesquisador meteorológico Davi Friale, o encontro do ar mais frio com a massa de ar quente e úmida presente na região poderia favorecer a formação de chuvas intensas, ventos fortes e raios.
Em Rio Branco e outros municípios do leste e sul acreano, a previsão apontava temperaturas mais amenas na manhã de quinta-feira (24), com mínimas entre 18°C e 21°C.
A combinação entre chuva, calor e mudanças rápidas nas condições atmosféricas mantém o acompanhamento meteorológico como uma questão importante para os próximos dias.




