A união de esforços entre os governos do Acre, Amazonas e Rondônia deu uma nova chance de vida a um homem de 61 anos, natural de Envira (AM), nesta segunda-feira, 5. A missão humanitária, realizada com o apoio indispensável da Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Acre (Sejusp), que, por meio do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), cedeu o helicóptero Harpia 04 para o transporte da equipe médica e captação do órgão em Porto Velho, demandou quase nove horas de empenho e dedicação — sem contar os demais processos envolvidos, além da cirurgia para implante do órgão no paciente, totalizando mais de 30h de trabalho ininterrupto de toda a equipe envolvida.

O comandante Sergio Albuquerque, um dos pilotos envolvidos na missão e atual coordenador do Ciopaer, expressou gratidão por participar da ação: “Esse voo foi muito gratificante. Tivemos um contratempo na decolagem, pois o tempo estava fechado, mas conseguimos concluir a missão com sucesso. Salvar vidas é sempre uma honra. E a parceria entre Sejusp e Sesacre tem possibilitado inúmeras missões, tanto de resgate quanto de transporte de órgãos para transplante”, ressaltou.
Enquanto isso, no interior do Amazonas, o paciente saía de Envira em um voo viabilizado pela prefeitura do município que, junto com a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), se empenhou para garantir que chegasse em tempo hábil à Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo, em Rio Branco.
A parceria entre órgãos públicos foi destacada pelo secretário de Saúde do Acre, Pedro Pascoal: “O coronel Gaia, titular da Sejusp, tem sido um grande parceiro da Saúde. Essa missão reforça ainda mais esse apoio, seguindo a missão diária dada pelo governador Gladson Camelí: cuidar das pessoas. A logística na região amazônica é desafiadora, mas, com união de esforços, conseguimos salvar mais uma vida. Agradeço também aos governos do Amazonas e Rondônia, por meio de seus secretários de Saúde, além da Prefeitura de Envira, por todo o esforço conjunto”.
O secretário de Justiça e Segurança Pública do Acre, coronel José Américo Gaia, também enfatizou o compromisso institucional: “Essa união de esforços entre as nossas secretarias é um exemplo claro de como a colaboração entre as instituições pode fazer a diferença na vida das pessoas. Ao garantir que os órgãos sejam transportados de maneira segura e rápida, não estamos apenas salvando vidas, mas também proporcionando esperança às famílias que aguardam por um transplante”, destacou.

A presidente da Fundhacre, Soron Steiner, celebrou mais uma conquista histórica para a Saúde do Acre: “Hoje é mais um dia que entra para a história da Saúde, não apenas do Acre, mas da Região Norte. Com o órgão doado por uma família de Rondônia e o empenho das equipes do Amazonas e do nosso estado, mais uma vida foi salva. Esse é o 102° transplante hepático realizado no Acre, mostrando que seguimos avançando com compromisso e humanidade”.
Corrida contra o tempo

Enquanto a captação do órgão era efetuada em Rondônia, no interior do Amazonas o paciente lutava contra o tempo. Com apoio da Secretaria de Saúde daquele estado e da Prefeitura de Envira, que fretou um avião para o transporte, chegou a tempo à Fundação Hospitalar, onde seria realizada a cirurgia.
“Hoje, o SUS dá uma demonstração concreta da importância da articulação entre os estados. Um morador de Envira será receptor de um fígado captado em Rondônia, com transplante realizado no Acre, e o município de origem foi peça-chave nessa logística. Essa integração é fundamental para vencermos os desafios da nossa região e salvarmos cada vez mais vidas”, destacou a secretária de Saúde do Amazonas, Nayara Maksoud.
O prefeito de Envira, Ivon Rattes, também comemorou o sucesso da missão: “A vida deve mobilizar os gestores públicos. Foi isso que fizemos. Agradeço ao governo do Amazonas, na pessoa da secretária Nayara e sua equipe, ao governo do Acre, ao secretário Pedro Pascoal, à equipe da Sesacre e ao governo de Rondônia. Todos foram fundamentais para que o paciente tivesse essa oportunidade de viver.”
Sucesso da operação

A cirurgia foi concluída com sucesso após cerca de 10 horas de procedimento, e o paciente, que sofria de cirrose e câncer no fígado, recupera-se bem, aos cuidados da equipe multiprofissional da Unidade de Terapia Intensiva da Fundação Hospitalar. Com esse procedimento, a Fundhacre alcança a marca de 102 transplantes de fígado realizados, desde a habilitação do complexo hospitalar para realização de transplantes hepáticos, em 2014.
O médico Tercio Genzini, responsável técnico pelos transplantes hepáticos na Fundação, reforçou a importância da doação de órgãos: “Esse paciente era acompanhado aqui e, graças ao apoio dos três estados, conseguimos proporcionar a ele essa oportunidade de cura. O Norte está se tornando uma referência em transplante. Também é importante reconhecer o trabalho do Sistema Nacional de Transplantes, que, por meio dos convênios com a aviação civil, garantiu que eu e uma auxiliar chegássemos a tempo para a realização da captação e transplante. A aviação também tem salvado vidas”.
Por Secom




