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Com drones e mais orçamento, EUA reforça ação militar na América do Sul

Por Manuela de Moura
Carla Sena/Arte Metrópoles

Os Estados Unidos estão deslocando recursos militares para a América do Sul em uma mudança que combina mais capacidade de vigilância, financiamento a governos aliados e uma atuação mais intensa contra o narcotráfico.

Washington prepara a transferência de drones MQ-9 Reaper da África para o Comando Sul e, paralelamente, redirecionou US$ 52 milhões em ajuda militar para Colômbia, Equador, Peru e Panamá.

O movimento ocorre enquanto o governo Trump 2.0 amplia a cooperação de segurança com parceiros da região e concentra esforços no que considera uma prioridade estratégica: o Hemisfério Ocidental.

Os MQ-9 Reaper são aeronaves remotamente pilotadas utilizadas para coleta de inteligência, vigilância e reconhecimento e, em configurações armadas, para ataques de precisão. A informação foi divulgada pela CNN Internacional na sexta-feira (18/9).

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do Metrópoles

Segundo as fontes ouvidas, os equipamentos devem deixar o Comando Africano e passar ao Comando Sul, responsável pelas operações militares americanas na América Latina e no Caribe. Ainda não foi informado quantos drones serão deslocados nem quando a transferência será concluída.

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Keiko Fujimori e Marco Rubio

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Marco Rubio e Daniel Noboa

Reprodução/Redes Sociais3 de 4Victor Santos/Arte Metrópoles4 de 4

Abelardo De La Espriella e Marco Rubio

Reprodução/Redes Sociais

Mais dinheiro para parceiros

  • A ampliação do aparato militar ocorre poucos dias depois de Washington anunciar uma mudança na destinação de recursos de assistência.
  • O governo Trump comunicou ao Congresso americano o redirecionamento de US$ 52 milhões em financiamento militar estrangeiro, originalmente destinado a Iraque, Tunísia, Eslováquia e Macedônia do Norte.
  • O dinheiro será direcionado para Colômbia, Equador, Peru e Panamá, em uma decisão que se relacionou à prioridade dada pelo governo Donald Trump ao Hemisfério Ocidental e ao combate ao tráfico de drogas.
  • Embora o montante seja pequeno diante do programa de financiamento militar estrangeiro dos Estados Unidos, a medida evidencia mudança na prioridade geográfica da política externa dos EUA.

Drones em ação

A possível transferência dos drones acrescenta uma capacidade militar de vigilância de longa duração à estratégia americana. O MQ-9 pode permanecer no ar por muitas horas, acompanhar embarcações e rotas e transmitir imagens e outros dados para equipes em solo. Quando armado, também pode realizar ataques guiados.

Para Daniel Astone, advogado e professor de Direito Internacional da Universidade Mackenzie Alphaville, ouvido pelo Metrópoles, a principal vantagem do equipamento está justamente na capacidade de acompanhar uma área durante longos períodos.

“O grande ganho do MQ-9 é conseguir vigiar uma área por muitas horas, em algumas configurações por mais de um dia. Ele acompanha embarcações e rotas, transmite imagens e outras informações e, se estiver armado, pode fazer ataques guiados.”

Segundo o professor, a utilização desses equipamentos também levanta questões sobre a passagem da vigilância para o emprego da força.

“Há uma diferença enorme entre localizar uma pessoa, achar que ela está armada e concluir que ela pode ser morta.”

Operação já usa força militar

A chegada dos Reaper ocorre enquanto os Estados Unidos mantêm a Operação Southern Spear, campanha militar voltada contra embarcações que Washington afirma estarem envolvidas com o tráfico de drogas.

Até junho, ao menos 200 pessoas haviam morrido em ataques americanos contra embarcações suspeitas de transportar drogas no Pacífico Oriental e no Caribe, segundo levantamento do USNI News.

Para Astone, a ampliação da atuação militar americana está relacionada a uma mudança na forma como Washington trata o combate às organizações criminosas.

“O que mudou foi a tentativa de tratar certos grupos criminosos como partes de uma guerra, inclusive para justificar ataques letais. Agora, Washington está tentando dar continuidade a isso com uma estrutura regional de parceiros.”

Rubio aproxima aliados

  • A ofensiva militar é acompanhada por uma agenda diplomática de Washington para estreitar laços com Colômbia, Equador e Peru.
  • Em viagem pela região, Marco Rubio avançou em acordos de segurança, combate ao narcotráfico e cooperação em energia e minerais estratégicos.
  • Colômbia e Peru ampliaram a parceria militar com os EUA, enquanto o Equador recebeu novos recursos para segurança e teve a facção Los Tiguerones classificada como terrorista por Washington.

Brasil fica fora da nova frente

O Brasil não está entre os quatro países beneficiados pelo novo redirecionamento de recursos militares. A ausência ocorre em meio ao aumento das críticas de Washington ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o combate ao crime organizado.

Nesta semana, Trump afirmou que o governo brasileiro “falhou em confrontar” o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). As duas facções foram classificadas pelos Estados Unidos como organizações terroristas estrangeiras, em uma decisão anunciada em maio e efetivada em junho.

No entanto, o Metrópoles apurou que o governo brasileiro apresentou duas propostas de cooperação no combate ao crime organizado a Washington, mas ainda não recebeu resposta dos Estados Unidos.

A classificação americana produz efeitos dentro da jurisdição dos Estados Unidos, como instrumentos para atingir pessoas, recursos e transações relacionadas às organizações. Ela, porém, não altera automaticamente o ordenamento jurídico brasileiro.

Para Astone, uma eventual operação militar americana em território brasileiro exigiria elementos adicionais.

“Para atuar aqui, depende do que se pretende fazer. Troca de inteligência e apoio a investigações podem ocorrer pelos mecanismos de cooperação existentes, com as medidas realizadas pelas autoridades brasileiras. Uma operação de forças militares americanas seria outra coisa: precisaria de consentimento do Brasil, fundamento jurídico para a missão e das autorizações internas exigidas para aquele tipo de presença.”

O professor ressalta ainda que a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelos Estados Unidos não equivale, por si só, a uma autorização para operações militares no Brasil.

“Chamar uma facção de terrorista não cria automaticamente uma guerra nem autoriza matar seus integrantes.”

A informação foi rechaçada pelo Departamento de Estado dos EUA ao Metrópoles, que esclareceu que a classificação não amplia os poderes das Forças Armadas norte-americanas.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Manuela de Moura.