EMBARAGADO ATÉ 28/08 02:00
As chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul entre abril e maio de 2024, e causaram enchentes por todo o estado, ocasionaram o maior evento de deslizamentos de terra em termos de quantidade já registrado no Brasil. É o que revela um estudo publicado nesta quinta (28/8) na revista Landslides.
Enchente de 2024
- A maior enchente já registrada no Rio Grande do Sul, entre abril e maio de 2024, deixou um rastro de destruição por todo o estado.
- Com 183 mortes confirmadas e 27 pessoas ainda desaparecidas, a tragédia afetou diretamente a vida de mais de 800 mil gaúchos.
- Dos 497 municípios, 484 foram atingidos pelas águas, que invadiram casas, comércios, rodovias, estádios e equipamentos públicos essenciais.
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Em termos de comparação, o megadesastre de 2011 na região serrana do estado do Rio de Janeiro, considerado o desastre mais mortal do Brasil, registrou quase 4 mil deslizamentos induzidos por chuva. O terremoto de magnitude 7.8 no Nepal, em 2015, desencadeou 4.312 deslizamentos e o tremor de 7.2 no Haiti, em 2021, 8.444 deslizamentos.
O estudo afirma que os deslizamentos de maior porte foram registrados em 15 municípios. Apesar disso, a maioria se concentra, respectivamente em apenas três: Bento Gonçalves, Veranópolis e Cotiporã.
“Dois fatores foram muito importantes para os deslizamentos terem se concentrado nesses três municípios: maior concentração de chuvas intensas nessas regiões e esses municípios têm, em grande parte de seu território, encostas íngremes e propensas a deslizamentos no caso de chuvas intensas”, explica Clódis de Oliveira Andrades-Filho, professor do Instituto de Geociências da UFRGS e autor do estudo.
Os municípios em questão estão na mesma região, também chamada de Serra das Antas, já que é onde passa o rio das Antas.
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Homem é visto com águas na cintura após a enchente do Guaíba
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De acordo com o levantamento, os pontos de início dos deslizamentos ocorreram principalmente em encostas voltadas para norte, norte-nordeste e noroeste-norte, áreas com cobertura vegetal mais dispersas, comparadas às voltadas para o sul. Esses setores também sofrem maior pressão de intervenções humanas, como desmatamento, cortes para estradas e construções residenciais.
Além disso, foram identificados e 2.430 trechos de estradas afetados por deslizamentos, resultando no isolamento de comunidades rurais e cidades, além de mortes, feridos e perdas materiais.
Para Andrades-Filho, o estudo permitiu reconhecer as características de relevo, solo e rocha das áreas atingidas e deve contribuir para a percepção de condições e limites de estabilidade e instabilidade das encostas do Planalto Meridional — região do Brasil que se estende principalmente pela Região Sul, com extensões nas regiões Sudeste e Centro-Oeste — numa situação de evento extremo de chuvas.




