Com um novembro atípico, com poucas chuvas e o pior número de queimadas para o mês nos últimos 24 anos, o g1 ouviu o professor da Universidade Federal do Acre (UFAC) Foster Brown, que faz um alerta para mudanças no clima e destaca a necessidade de uma adaptação.
Número de queimadas
Além das chuvas abaixo do esperado para o período, o Acre registrou mais de 700 focos de queimadas nos oito primeiros dias de novembro. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que monitora o avanço do fogo em todo país. Com esse número, o Acre tem pior novembro de queimadas dos últimos 24 anos.
“Por causa das variações que acontecem naturalmente é mais difícil vê a contribuição do ser humano, mas temos desde a década de 70 um aumento de temperatura aqui nessa parte da Amazônia. Estamos com um aumento de meio grau por década.”
Desmatamento
Outro fator que contribui ainda mais para a sensação de calor no estado é o desmatamento e, consequentemente, a perda de vegetação. O desmatamento no Acre aumentou 13% em 2021, segundo o Relatório Anual de Desmatamento no Brasil (RAD), do MapBiomas. Dados do levantamento apontam que o estado perdeu 64.147 hectares da cobertura de vegetação nativa no período.
Brown exemplifica que a falta de árvores impacta diretamente a sensação térmica. Para entender melhor, ele dá o exemplo de uma área e pasto – que é desmatada – e a floresta, que é uma área arborizada.
“No meio-dia, se você anda na floresta percebe que a sensação térmica lá é diferente do que estar em um pasto no mesmo horário. É nisso que o desmatamento afeta, inclusive, o ciclo da água, especialmente na seca. Porque na floresta tem sistema radicular, porque as raízes vão bem mais fundo do que a grama, que é do pasto”, destaca.
Ausência de chuvas
Mudanças no clima, aumento de queimadas e poucas chuvas nos primeiros 14 dias de novembro. O Rio Acre registrou, somente este ano, quatro cotas históricas na maior seca do estado, sendo três vezes em setembro, e uma em outubro, quando chegou a 1,25 metro.
“Nós temos circulação de ventos, as chuvas que caem normalmente agosto, setembro, outubro vem principalmente na direção do oceano Atlântico e passa em cima das florestas no Pará, eles ficam recarregado com umidade. Se não tem essas florestas, a recarga fica menor e nós temos menos chuvas aqui.”
Para tentar diminuir esses impactos ambientais, o pesquisador diz que algumas medidas precisam ser tomadas e até comportamentos.
“Precisamos reduzir o nosso impacto em duas áreas; uma é o efeito estufa, dióxido de carbono e gás carbônico que estão aumentando consideravelmente. O segundo passo é tentar controlar o desmatamento, que tem um efeito imediato”, pontua.
COP-27
As soluções para problemas climáticos estão em debate durante a Conferência sobre as Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (COP27), realizada até 19 de novembro em Sharm El Sheik, no Egito, Uma delegação do Acre está no encontro e o governador do estado, Gladson Cameli, também chegou ao país e, durante entrevista, reforçou o compromisso com o desenvolvimento sustentável aliado à geração de emprego e renda no estado.
“O governo do Estado do Acre tem um olhar voltado para as políticas ambientais e todos os compromissos firmados serão cumpridos. Para nós, da Amazônia, o financiamento das políticas de sustentabilidade deve ser fortalecido e ampliado”, destacou em site oficial do governo.
Também no mesmo encontro a Secretaria de Meio Ambiente e das Políticas Indígenas (Semapi), celebrou a assinatura do Termo de Cooperação Técnica (ACT) com o Earth Innovation Institute (EEI), que garantirá o apoio para criação da Unidade de Conservação de Uso Sustentável, da Floresta Estadual do Afluente, no Seringal Jurupari, situado entre os municípios de Manoel Urbano e Feijó.




