Com a proximidade do Natal, famílias procuram ainda mais os supermercados para comprar os produtos que compõe a ceia natalina. Um levantamento feito pela equipe de reportagem da CENARIUM, nesta quinta-feira, 9, mostrou que, com o aumento no preço do principal produto presente na mesa dos brasileiros no final de ano, o peru, algumas famílias estão tendo que optar por outra proteína.
Estoque de Peru em supermercado de Manaus. (Ricardo Oliveira/ Cenarium)
De acordo com o cinegrafista Paulo Batista*, o Natal da família não vai ter o peru, pois o valor é inacessível para o seu bolso. “Esse ano a gente não vai ter o peru, o preço aumentou muito para continuar com ele na nossa ceia. Infelizmente vamos precisar trocar por um frango que o preço está menor. Pelo menos a gente não vai ficar sem ceia, mas com o valor que está, fica inviável comprar um peru apenas para comer em uma noite. Com esse valor, eu consigo comprar duas cestas básicas aqui em Manaus para a minha família”, declarou.
Outra família que também não vai ter a oportunidade de adquirir o produto, é a da auxiliar de serviços gerais Maria da Silva*. Segundo ela, a família não vai ter a oportunidade de comprar o peru para as festas de fim de ano. “É impossível comprar um alimento com esse valor apenas para um dia, e com o valor que eu recebo. Meu salário não me permite fazer extravagâncias. Então, esse ano eu vou comprar um frango e fazer para complementar o jantar de Natal”, relatou.
Mas os altos preços não param por aí. Levando em consideração que uma ceia é composta por peru, arroz, farofa, frutas, nozes e sobremesas, é possível que uma família gaste, em média, R$ 200. “Eu ganho o Bolsa Família, que agora mudou de nome. Não tenho muita renda e por isto, vamos trocar todos esses itens de uma ceia tradicional por um jantar mais simples. Prefiro comprar uma cesta e me alimentar nos outros dias do que gastar tudo de uma vez”, completou Maria.
Um outro item comum nessa época do ano é o panetone. Com preço médio encontrado a R$ 30, uma unidade chamou atenção da reportagem ao ser vendida a R$ 260,90 no Pátio Gourmet. Na descrição do produto, o fabricante justifica ser um panetone importado da Itália, produzido artesanalmente, recheado com um creme de textura aveludada com chocolate e avelãs. “Tá louco que eu compraria um desses?”, brincou a auxiliar de serviços gerais.
Segundo a Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj) mais de 50% das pessoas irão reduzir gastos no fim de ano em comparação ao mesmo período do ano passado. Ainda de acordo com a pesquisa, o peru e o espumante, que são produtos tradicionais na ceia de Natal, devem ficar de fora de uma boa parte das festividade deste ano.
O chester e o frango foram produtos que mais apareceram na pesquisa, como produtos principais na lista de consumo este ano. Em compensação, o bacalhau, que vem se fazendo presente nos anos anteriores, não estará tão presente nas celebrações em 2021. Somente 16% dos entrevistados informaram que irão comprar o peru para as festas de fim de ano.
De acordo com a economista Denise Kassama, o importante é não perder a essência da festividade. Ela faz um alerta para que o consumidor não entre o ano seguinte endividado. “Não podemos perder a essência do Natal que é estarmos com aqueles que amamos. O resto, a gente monta conforme nossa possibilidade. O importante é não se endividar nesse momento tão difícil para a economia”, explicou.




