
Um comercial da Havaianas estrelado por Fernanda Torres desencadeou críticas de políticos brasileiros ligados à direita e ampliou um debate que extrapolou as redes sociais, alcançando também o mercado financeiro. A peça publicitária foi lançada para a virada do ano e rapidamente ganhou repercussão política.
O recurso de linguagem, no entanto, foi interpretado por parlamentares conservadores como uma provocação política. A reação incluiu manifestações públicas e pedidos de boicote à marca.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais em que aparece descartando um par de sandálias da empresa e afirmou que começaria o ano “com o pé direito, mas não de Havaianas”. Para ele, a campanha teria conotação ideológica e justificaria a interrupção do consumo dos produtos.
Já o deputado Nikolas Ferreira ironizou a campanha ao escrever que “Havaianas, nem todo mundo agora vai usar”, reforçando o chamado ao boicote. Outros políticos e influenciadores alinhados à direita também passaram a criticar a peça publicitária, associando-a a um suposto posicionamento político da marca.
Além da mensagem do comercial, críticos apontaram a escolha de Fernanda Torres como elemento simbólico. Neste ano, a atriz venceu o Oscar por sua atuação no filme Ainda Estou Aqui, que retrata a luta contra a ditadura militar no Brasil, o que, segundo parlamentares conservadores, reforçaria uma leitura política da campanha.
Até o momento, a Havaianas e sua controladora, a Alpargatas, não divulgaram nota oficial comentando a polêmica.
A controvérsia também repercutiu no mercado financeiro. Na segunda-feira, 22, as ações preferenciais da Alpargatas (ALPA4) registraram queda de cerca de 3% na B3, sendo negociadas em torno de R$ 11,36, após a reação negativa e os pedidos de boicote liderados por políticos da direita.
A Havaianas pertence à Alpargatas, empresa brasileira do setor de calçados com capital aberto. A marca é o principal ativo da companhia e responde por parcela relevante de sua receita, além de ter forte presença internacional. O controle acionário é pulverizado, com participação relevante de investidores institucionais e fundos, tendo como principais acionistas a Itaúsa S.A., com 29,58%, e a Cambuhy Alpa Holding Ltda., com 23,77% do total.




