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Como PCC e CV clonaram programas do Governo Lula para faturar milhões

Por Carlos Carone
Arte / Metrópoles

A audácia das duas maiores organizações criminosas do país ultrapassou, a tempos, as fronteiras do tráfico de armas e drogas. Uma recente auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) revelou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) estruturaram uma complexa rede de fraudes digitais para extrair dinheiro diretamente do bolso dos brasileiros. A estratégia utiliza como “isca” os próprios programas sociais do Governo Federal, como o Desenrola Brasil.

A auditoria do tribunal revelou um raio-X detalhado da operação cibernética entre os dias 10 e 21 de janeiro de 2025, período em que os auditores identificaram e analisaram 1.770 anúncios fraudulentos. A engrenagem criminosa se aproveitou da vulnerabilidade financeira das vítimas e até de recentes mudanças nas regras de envio de dados de transações Pix à Receita Federal para criar uma falsa sensação de urgência.

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A sofisticação do esquema impressionou os auditores do órgão de controle. Para dar aparência de legitimidade aos golpes e enganar as vítimas, as peças publicitárias pagas nas redes sociais utilizavam um arsenal visual elaborado. Impressionantes 83,2% dos anúncios fraudulentos analisados utilizavam logotipos oficiais, cores do governo federal e artes institucionais copiadas de bancos públicos, como a Caixa Econômica Federal.

Lideranças políticas

Além disso, os criminosos usaram recursos de Inteligência Artificial para manipular a imagem e a voz de lideranças políticas, simulando anúncios reais sobre benefícios públicos, acompanhados de fotos sugestivas como pessoas em longas filas de bancos para induzir o cidadão a buscar facilidades digitais.

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Os alvos foram cirurgicamente escolhidos entre os principais programas da gestão federal. No caso do Desenrola Brasil, cujas fraudes circularam ao menos desde 7 de julho de 2024, as peças prometiam “limpar o nome” e resolver a situação financeira de inadimplentes, fazendo com que a vítima informasse dados pessoais e pagasse taxas via Pix.

Já no Voa Brasil, alvo de golpes desde 25 de julho de 2024, logo após seu lançamento oficial, os criminosos mobilizavam aposentados do INSS a fazerem falsas consultas de elegibilidade e a comprarem passagens aéreas inexistentes. O esquema ainda englobava falsos anúncios sobre valores a receber e serviços do Banco Central.

Perversidade criminosa

O relatório do TCU faz um alerta crítico para o impacto social e a perversidade dessa modalidade criminosa. O público-alvo dos programas clonados é composto prioritariamente por aposentados e famílias de orçamento restrito, parcelas da população com menor letramento digital e maior necessidade de acessar serviços estatais.

Ao caírem no conto da renegociação de dívidas ou da passagem acessível, as vítimas não apenas fornecem seus dados pessoais para redes de clonagem de cartões e fraudes no WhatsApp, como transferem economias inteiras via Pix diretamente para as contas bancárias operadas pelo narcotráfico.

A migração de braços do PCC e do CV para o ecossistema de golpes digitais demonstra a rápida capacidade de adaptação do crime organizado, que agora usa a infraestrutura da internet e a imagem do próprio Estado para financiar suas operações.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Carlos Carone.