A Polícia Federal (PF) afirma que o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) exercia poderes típicos de proprietário sobre um imóvel registrado em nome de terceiros em Petrópolis, na Região Serrana.
Mensagens localizadas no celular de Castro mostram que ele acompanhava reformas na propriedade e participava das decisões sobre o projeto de uma adega climatizada para a residência.
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da Coluna Manoela Alcântara
Segundo os investigadores, o empresário obteve R$ 355,2 milhões em contratos durante a gestão de Castro, conforme mostrou a coluna do Metrópoles de Tácio Lorran.
Segundo a PF, Castro mantinha contato frequente com uma pessoa identificada como Luciano Medeiros, que lhe prestava informações sobre obras, entregas, refeições e a preparação da propriedade para receber convidados.
Em fevereiro deste ano, Luciano enviou ao ex-governador fotografias do andamento de uma obra e informou que as paredes estavam sendo finalizadas e que a montagem de uma laje começaria na semana seguinte.
Os investigadores também localizaram mensagens nas quais Castro orientava a equipe sobre a disposição das garrafas na adega.
“Lembra, eu quero tudo mais deitado, uma boa parte que eu possa saber o que eu tenho”, escreveu o ex-governador sobre as garrafas.
Para a PF, embora o imóvel estivesse formalmente registrado em nome de terceiros, as mensagens indicam que Castro exercia poderes de gestão e administração sobre a propriedade.
Em 4 de março, o ex-governador questionou Luciano sobre o andamento dos trabalhos.
“Lulu. Como tá a minha obra?”, escreveu Castro.
Em resposta, Luciano informou que as equipes estavam impermeabilizando as paredes da adega e que o lavabo e um quarto estavam sendo emboçados.
Dois dias depois, Luciano enviou imagens de como ficaria a adega e perguntou: “Dr. Claudio, posso orçar assim? Alguma alteração?”.
“Mandei pro Dionisio. Pode sim”, respondeu Castro.
Outro arquivo localizado pela PF entre os materiais apreendidos tinha o título “AP Adega Villa Locanda”. Os metadados do documento, porém, o identificavam como “AP Adega Claudio Castro”.
No fim daquele mês, o responsável pelo projeto enviou diretamente a Castro uma proposta comercial de R$ 245 mil para a construção da adega, acompanhada das condições de pagamento.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Pablo Giovanni.




