Um novo povo indígena isolado foi identificado nas florestas de Rondônia, de acordo com uma reportagem conjunta do jornal O Globo e do britânico The Guardian. Conhecidos provisoriamente como Massaco, esses indígenas vivem sem contato com o mundo externo e têm prosperado graças à política de não contato promovida pela Fundação Nacional do Índio (Funai). O sucesso dessa abordagem também é observado entre outras comunidades isoladas no Brasil, incluindo as do Acre e dos Moxihatëtëa, subgrupo Yanomami.
“O território foi o primeiro no Brasil reservado exclusivamente para populações isoladas e tornou-se um modelo de proteção sem contato direto”, explica Altair Algayer, veterano da Funai e líder no monitoramento dos Massaco.
Pouco se sabe sobre a cultura Massaco, mas características únicas, como arcos de mais de três metros e a ausência de adereços como brincos e colares, distinguem o grupo. Especialistas suspeitam que eles tenham origem na Bolívia, devido a semelhanças com o povo Sirionó, mas a confirmação depende de estudos mais aprofundados.
Crescimento Populacional e Riscos
Estima-se que o grupo tenha entre 200 e 250 indivíduos, divididos em cerca de 50 famílias. Apesar do crescimento, o aumento da população e mudanças climáticas representam desafios, ampliando o risco de contato involuntário com o mundo externo.
Amanda Villa, do Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados, ressalta: “Enquanto celebramos seu crescimento, é crucial garantir que as políticas de não contato sejam mantidas para evitar impactos negativos.”
As únicas interações confirmadas ocorreram por acaso. Em 2014, Paulo Pereira da Silva, agente da Funai, viu dois homens nus plantando estacas perto da base. O encontro, mesmo breve, evidenciou a determinação dos Massaco em evitar contato.
“A política de não contato é essencial para preservar sua autonomia e cultura. Esses povos são um exemplo de resistência na Amazônia”, conclui Algayer.





