O coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins, descrito em investigação da Polícia Federal (PF) como amigo de dois suspeitos de operar movimentações financeiras para integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), atuou como chefe da assessoria militar da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP).
De acordo com publicações de gratificações no Diário Oficial do Estado, Pereira Martins ocupou a função pelo menos entre outubro de 2014 e dezembro de 2016, período que engloba as gestões do atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e de seu sucessor, Mágino Alves Barbosa, à frente da pasta.
Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles
Investigação da PF
A PF identificou conversas entre o coronel e os operadores Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins datadas até novembro de 2023. Em uma delas, Pereira Martins convidou Cléber para sair com “amigos da minha turma de coronéis”.
O relatório define o oficial como “grande amigo” da dupla, presa em 21 de julho em operação do Ministério Público de São Paulo, e afirma que ele “parece abrir portas na corporação PMESP para Cléber e o grupo”. Embora citado, Pereira Martins não foi preso e também não está entre os acusados de integrar o núcleo financeiro.
A análise foi baseada em mensagens, áudios, fotografias e documentos extraídos de celulares apreendidos com os operadores. O relatório também examinou a hipótese de pagamentos a oficiais da PM, mas informou não haver elementos suficientes para confirmá-la quando o documento foi concluído, em novembro de 2024.
Segundo o documento, o coronel da reserva também aparece em mensagens tratando do uso das colônias da Associação dos Oficiais da Polícia Militar de São Paulo (AOPM), entidade na qual é diretor.
Em nota, a AOPM afirma que o coronel “não tem sobre si qualquer indício de práticas ilícitas” e que os fatos apontados demonstram que o Coronel Pereira “mantinha relações sociais e de amizade com pessoas num período em que sobre elas não pairavam quaisquer suspeitas de todos ao seu redor”.
9 imagens1 de 9
Coronel em foto tirada no revéillon de 2023, juntamente com suspeito de operar esquema para o PCC
Reprodução/Instagram 2 de 9
Coronel e dupla apontada por envolvimento com o crime dividem a mesma mesa
Reprodução/Instagram 3 de 9
Cléber ao lado de Pereira Martins
Reprodução4 de 9
Empresário é apontado em investigação como operador do PCC
Reprodução/Instagram 5 de 9
Coronel compõe mesa também ocupadas por suspeitos de prestaar serviços ao crime organizado
Reprodução/Instagram 6 de 9
Coronel da reserva em foto tirada no 1º dia de 2023
Reprodução/Instagram 7 de 9
Advogado Antônio Carlos Ubaldo Júnior, acima, e o empresário Cléber Azevedo, em primeiro plano
Reprodução/Instagram 8 de 9
Coronel da reserva Pereira Martins (esq em destaque) e Cléber Azevedo dos Santos
Reprodução/Instagram 9 de 9
Coronel da reserva Pereira Martins (esq em destaque) e Cléber Azevedo dos Santos
Reprodução/Instagram
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, o coronel da reserva está na inatividade desde abril de 2019 e não exerce funções na Polícia Militar. “A SSP não compactua com desvios de conduta. Eventuais responsabilidades serão apuradas com rigor, observados o devido processo legal e a autonomia das investigações”, disse a pasta.
Operação Janus
- Cléber e Robson foram presos no último dia 21 durante a Operação Janus, do Ministério Público de São Paulo (MPSP).
- Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o grupo mantinha uma estrutura clandestina para receber dinheiro vivo e devolver os valores por transferências feitas por empresas e contas de terceiros. O esquema teria entre seus clientes integrantes do PCC.
- A PM e a Secretaria da Segurança Pública afirmaram que não compactuam com desvios de conduta e que a Corregedoria pediu acesso ao material para avaliar eventuais medidas, nos âmbitos criminal e administrativo.
- A reportagem não localizou Pereira Martins. O espaço permanece aberto para manifestação.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Vinicius Passarelli.




