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Coronel diz ir a psiquiatra após morte de PM Gisele; “Cena traumatizante”

Por Alfredo Henrique
Reprodução/PMSP

Preso desde março e réu pela morte da esposa, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto (imagem em destaque) afirmou que passou duas vezes por atendimento psiquiátrico e faz acompanhamento psicológico desde que encontrou a soldado Gisele Alves Santana, baleada, na sala do apartamento onde o casal morava, no centro da capital paulista, em 18 de fevereiro (assista abaixo).

“Em 35 anos de polícia, eu nunca vi uma cena tão traumatizante”, afirmou o oficial, ao se referir ao momento em que encontrou Gisele caída, com um tiro na cabeça.

Geraldo foi preso exatamente um mês depois da morte da esposa, quando elementos reunidos durante a investigação passaram a confrontar a versão de suicídio sustentada por ele desde o início.

“Ainda não consigo acreditar”

Em depoimento à Corregedoria da Polícia Militar, prestado por videoconferência e obtido pela coluna, o coronel chorou ao falar da morte de Gisele e voltou a negar que tenha matado a esposa.

“A minha esposa tirou a própria vida e até hoje eu não consigo acreditar que ela fez isso. E ainda estou sendo acusado de tê-la matado”, afirmou.

Geraldo acrescentou que o episódio também afetou sua saúde mental. Ele disse ter passado por duas consultas com um psiquiatra e afirmou receber acompanhamento psicológico no Presídio Militar Romão Gomes, onde permanece detido desde 18 de março.

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O relato se soma a outras declarações feitas pelo oficial à Corregedoria, em depoimento que durou cerca de duas horas. Como revelou a coluna, Geraldo afirmou que sonha com Gisele e que passou a conversar com a esposa morta durante orações. Em uma delas, segundo contou, questionou: “Por que fez isso, meu amor?”.

Perícia contesta suicídio

Apesar de Geraldo insistir que Gisele tirou a própria vida, a tese perdeu sustentação ao longo das investigações.

Um novo laudo da Polícia Científica, revelado pela coluna, concluiu que os vestígios encontrados no apartamento contradizem um “evento suicida” e permanecem compatíveis com a intervenção de uma segunda pessoa. O exame foi produzido após novos questionamentos apresentados pela própria defesa do coronel.

Laudos anteriores também apontaram que o tiro percorreu a cabeça de Gisele de baixo para cima e identificaram marcas no pescoço e na mandíbula da policial.

A investigação ainda encontrou vestígios de sangue em uma bermuda usada pelo coronel e em uma toalha do apartamento. Conversas recuperadas do celular de Gisele, segundo a Polícia Civil, também contrariaram declarações apresentadas pelo oficial sobre o relacionamento.

Geraldo responde por feminicídio e fraude processual e permanece preso preventivamente no Presídio Romão Gomes. Seu interrogatório na Justiça comum, adiado três vezes, está marcado para 5 de outubro.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Alfredo Henrique.