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Coronel reservava vagas exclusivas a operadores do PCC em clube da PM

Por Alfredo Henrique
Reprodução/AOPM

O relato foi feito ao Metrópoles, sob condição de anonimato, por associados da AOPM, chamada pelas fonte de “clube da PM”. Segundo eles, Pereira Martins usava a posição ocupada na entidade para reservar boas vagas de estacionamento e acomodar convidados em locais privilegiados. Atualmente, o oficial da reserva é diretor de Colônias e de Patrimônio da associação.

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Carros de luxo estavam registrados em nome de terceiros

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Em mensagens, coronel garantia vagas para amigos em eventos

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Oficial da PM posa para foto durante evento da associação dos oficiais ao lado de Antonio Carlos Ubaldo Júnior, preso sob suspeita de envolvimento com o crime organizado

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Coronel da reserva com Robson Martins de Souza, apontado como operador do PCC, do lado direito da imagem,

Reprodução/AOPM

A informação ganha relevância diante de mensagens analisadas pela Polícia Federal (PF), nas quais Pereira Martins e Robson Martins de Souza tratam de carros de luxo levados a uma “festa do flashback” da AOPM.

Entre os veículos mencionados, estavam três modelos da Porsche (Cayenne, Panamera e 911 Carrera S).

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do Metrópoles SP

“Ele garantia os melhores lugares para os amigos”, afirmou a fonte.

O registro mais recente em que Pereira Martins e Robson posaram juntos para uma foto ocorreu em outubro do ano passado (imagem em destaque), na festa de 94 anos da entidade, que contou com show do cantor Sidney Magal.

Foto em outra festa de 2025

Nos arquivos públicos da associação, a reportagem localizou uma fotografia feita dois meses antes, em agosto de 2025, durante a comemoração dos 10 anos do Flashback AOPM.

Na imagem coletiva, Pereira Martins aparece em uma confraternização na qual também estava o advogado Antonio Carlos Ubaldo Júnior. O registro foi publicado no perfil oficial da entidade, que classificou a festa como uma “noite memorável” (veja galeria acima).

Ubaldo foi preso em março deste ano na Operação Bazaar e voltou a ser capturado em julho, durante a Operação Janus, do Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Ele é apontado como integrante de uma estrutura financeira suspeita de movimentar e ocultar valores para criminosos, entre eles, membros do PCC.

Em outra fotografia já revelada pelo Metrópoles, Pereira Martins e a esposa aparecem à mesa de um restaurante com Ubaldo e Cléber Azevedo dos Santos, também preso na Janus (veja galeria abaixo).

Porsches e colônia

Em abril de 2023, Pereira Martins pediu a Robson informações sobre os carros que seriam levados à festa. Na sequência, recebeu dados de um Porsche Cayenne branco e de um Porsche Panamera preto.

O relatório da PF também registra imagens de um Porsche 911 amarelo. O documento não afirma que os veículos pertenciam diretamente aos operadores nem que houve irregularidade na entrada dos carros no evento. O material mostra, porém, que o coronel tratava diretamente com Robson sobre os automóveis.

Mensagens obtidas pela PF também revelam que Pereira Martins organizava viagens dos operadores para colônias mantidas pela associação.

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Coronel em foto tirada no revéillon de 2023, juntamente com suspeito de operar esquema para o PCC

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Coronel e dupla apontada por envolvimento com o crime dividem a mesma mesa

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Cléber ao lado de Pereira Martins

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Empresário é apontado em investigação como operador do PCC

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Coronel compõe mesa também ocupadas por suspeitos de prestaar serviços ao crime organizado

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Coronel da reserva em foto tirada no 1º dia de 2023

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Advogado Antônio Carlos Ubaldo Júnior, acima, e o empresário Cléber Azevedo, em primeiro plano

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Coronel da reserva Pereira Martins (esq em destaque) e Cléber Azevedo dos Santos

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Coronel da reserva Pereira Martins (esq em destaque) e Cléber Azevedo dos Santos

Reprodução/Instagram

Em 2020, ele sugeriu a Cléber uma viagem a Campos do Jordão.

“Próximo feriado, podemos ir para Campos do Jordão, na Colônia dos Oficiais!!! Tudo mais em conta, todos como associados”, escreveu.

Três anos depois, Robson perguntou se a colônia de Boraceia estava reservada para um feriado. O coronel confirmou.

As conversas indicam que os operadores acessavam as estruturas de lazer da associação dos PMs por intermédio de Pereira Martins.

“PCC mata polícia”

A presença de pessoas posteriormente relacionadas a uma estrutura financeira do PCC provocou preocupação entre associados.

“Eu tenho medo de PCC. PCC mata polícia”, afirmou um deles à reportagem.

Acrescentou que frequentadores passaram a questionar quem tinha acesso às festas, colônias e áreas reservadas da associação.

Não há, porém, nos documentos analisados, indicação de que Cléber, Robson ou Ubaldo tenham usado os eventos para monitorar policiais ou planejar crimes.

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“Grande amigo”

Relatório da Delegacia de Repressão à Corrupção e aos Crimes Financeiros da PF define Pereira Martins como “grande amigo” de Cléber e Robson.

“O coronel é grande amigo de Cléber e Robson e com eles fez viagens, sendo, por si só, fato que chama muito a atenção”, diz trecho do documento.

Na sequência, a PF afirma que o oficial “parece abrir portas na corporação PMESP para Cléber e o grupo”.

A investigação também analisou uma possível entrega de dinheiro a coronéis, mas não confirmou a hipótese até a conclusão do relatório, obtido pela reportagem, ocorrida em novembro de 2024.

Pereira Martins não foi preso, não foi alvo da Operação Janus e não aparece entre os acusados de integrar o núcleo financeiro.

AOPM, SSP e PM

Em nota divulgada no site da entidade, nessa terça-feira (28/7), a AOPM confirmou a relação social entre o coronel e os empresários, mas afirmou que, na época, “sobre eles, não pairavam quaisquer suspeitas de todos ao seu redor”. A entidade também disse que o oficial “não tem sobre si qualquer indício de práticas ilícitas”.

A AOPM foi questionada sobre as regras de entrada de convidados, reservas de vagas, uso das colônias e a presença dos suspeitos em eventos da entidade. Ela não havia se manifestado até a publicação desta reportagem. O espaço segue disponível.

A PM e a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmaram anteriormente que não compactuam com desvios de conduta e que a Corregedoria da corporação pediu acesso aos documentos da investigação.

Pereira Martins não foi localizado. O espaço permanece aberto para manifestações.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Alfredo Henrique.