Há uma dura e cruel realidade na política brasileira recente: os líderes são consumidos por problemas que eles mesmos criam. É um sobe e desce constante. São devorados pela revolução que provocam. O então poderoso Fernando Collor caiu do pedestal depois que seu irmão Pedro fez graves denúncias contra ele e seu tesoureiro particular, o notório Paulo Cesar Farias. Em tempos recentes o ex-presidente se envolveu em outras confusões. Ele, hoje, está preso em Maceió. PC Farias foi assassinado.
A história política recente esqueceu uma variável importante. José Dirceu foi preparado por Lula para ser seu sucessor. Ele chegou ao posto de poderoso chefe da Casa Civil, homem forte do governo. No entanto, o deputado Roberto Jefferson denunciou a existência do mensalão. José Dirceu foi processado na Câmara dos Deputados e confrontado pelo mesmo Roberto Jefferson: “vossa excelência me desperta os mais baixos instintos”. Tempos depois, Jefferson recebeu a Polícia Federal a tiros. Também foi preso e cumpre sentença.
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do Metrópoles
Exemplo mais recente e gritante é de Jair Bolsonaro. Ele era um zero a esquerda na política nacional. Oficial de baixa patente que se notabilizou por ser voz discordante nos quartéis. Fazia muito barulho por causa de salários dos militares. De um dia para o outro, quando a população mostrou estar cansada do populismo de Lula, ele achou uma brecha e começou a crescer na opinião dos eleitores. E foi objeto de uma tentativa de assassinato. Recebeu uma facada em plena luz do dia, na cidade de Juiz de Fora, durante comício. Não precisou fazer campanha. Não compareceu a nenhum debate. Foi eleito na cama do hospital.
Na Presidência da República foi um desastre. Parecia adolescente em férias. Cometeu uma série de bobagens juvenis. Constrangeu dirigentes estrangeiros. Humilhou brasileiros no grave momento da covid 19. Incentivou militares a dar golpe de estado. Hoje, está preso em sua residência, em Brasília, sem poder manter contato sequer com o filho candidato a Presidência da República, por decisão do ínclito ministro Alexandre de Moraes.
O poderoso Alexandre de Moraes experimenta o mesmo destino. Ele foi o algoz de Jair Bolsonaro. Determinou penas longuíssimas para os acusados pela tentativa de golpe de estado de janeiro de 2023. Agora enfrenta a barra-pesada. Foi jurado pelos norte-americanos, que lhe aplicaram os rigores da lei Magnitsky. De repente, aparece como conselheiro, muito bem remunerado, de Daniel Vorcaro, o homem que distribuiu dinheiro e benesses entre poderosos.
Sujou sua imagem. Iniciou a queda em direção à planície. Experiência semelhante à de outros expoentes da política brasileira. O procurador geral Paulo Gonet também está em situação constrangedora. As vísceras do sistema estão expostas à visitação publica. O mal está feito. E caberá aos supremos resolver a questão. Se não o fizerem, forças externas o farão. Crepúsculo dos Deuses, é o título em português do filme Sunset Boulevard, 1950, dirigido por Billy Wilder, considerado pelos críticos de Hollywood um dos dez melhores de todos os tempos. História de atores que foram famosos e se tornaram decadentes. Com William Holden e Gloria Swanson. No Brasil, a política imita a arte.
André Gustavo Stumpf, jornalista ([email protected])
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Blog do Noblat.




