
O advogado criminalista Pierpaolo Bottini, professor de Direito Penal da Universidade de São Paulo (USP), falou sobre o suposto envolvimento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em um plano para assassinar, em 2022, o então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que presidia o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) à época.
Evidências apontam para participação de Bolsonaro O relatório da PF analisado por Bottini indica que Bolsonaro participou de reuniões e discussões sobre uma minuta de atos jurídicos que embasariam a ruptura com o modelo democrático. Além disso, um documento denominado “punhal verde e amarelo”, que detalhava o plano para assassinar autoridades, teria sido impresso no Palácio do Planalto.
O advogado da USP destacou que esses elementos, somados a outros atos como a reunião com embaixadores estrangeiros questionando o sistema eleitoral, fornecem base para uma possível denúncia robusta por parte do Ministério Público. “Há evidências suficientes para sugerir que Bolsonaro não só estava ciente, mas também incentivou, participou e colaborou com essas práticas consideradas gravíssimas”, afirma Bottini.
Plano estruturado e com acesso a recursos De acordo com Bottini, o relatório revela que não se tratava apenas de um planejamento superficial ou caricato, mas sim de algo altamente estruturado. “A gente estava diante de algo estruturado, com militares de alta patente que tinham acesso ao presidente da República, a armamentos e a material tecnológico avançado, além de um plano bastante elaborado e que visava romper com o Estado Democrático de Direito”, conclui.



