O tráfico de drogas na Amazônia tem adotado métodos cada vez mais sofisticados para transportar entorpecentes, utilizando cargas de peixe como disfarce. A nova rota do crime passa por cidades como Coari e Tabatinga, no Amazonas, onde cocaína e skank — uma variação potente da maconha, conhecida como “supermaconha” — são escondidas em caixas de isopor, entre o gelo, ou mesmo acopladas aos cascos de embarcações, dificultando a ação de cães farejadores e da fiscalização.
Essa prática criminosa tem afetado diretamente iniciativas de desenvolvimento sustentável na região. Um dos casos mais emblemáticos é o da cadeia produtiva do pirarucu em Tabatinga, na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia. A proposta, que buscava incentivar a pesca legal e gerar renda para as comunidades ribeirinhas, precisou ser suspensa pelo governo federal devido ao risco representado pelo narcotráfico.
Além do impacto direto na segurança pública, o avanço do tráfico de drogas tem provocado efeitos colaterais devastadores: aumento do desmatamento, do garimpo ilegal em áreas protegidas, e ameaças ao turismo e à integridade de comunidades ribeirinhas e indígenas.
Para combater o problema, o Ministério da Justiça estuda reforçar a fiscalização, prevenir o aliciamento de moradores pelas facções criminosas e investir em alternativas de renda sustentável que não coloquem em risco a vida das populações locais.





