Crise financeira faz Corinthians acelerar negociação com Caixa por dívida da Arena; entenda
Clube discute alternativas para débito de R$ 642 milhões, tenta liberar R$ 27 milhões retidos e avalia mudanças no acordo da Neo Química Arena
Segundo apuração da ESPN, dirigentes corintianos estiveram em Brasília nesta semana para reuniões com representantes da Caixa. As conversas são conduzidas pelo presidente Osmar Stabile e contam com a participação do diretor jurídico Pedro Soares.
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Reprodução/corinthians Camisa do Corinthians amarelaReprodução/Instagram: @corinthians Corinthians venceu a Copa do BrasilFoto/Instagram/@ Corinthians
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Entre os assuntos na mesa está a tentativa de liberar cerca de R$ 27 milhões atualmente retidos em uma conta secundária vinculada ao contrato de financiamento. O Corinthians também discute possíveis mudanças nos termos do acordo firmado para a construção da Arena.
Uma das alternativas estudadas envolve os naming rights do estádio. O Corinthians avalia a possibilidade de a Caixa assumir o espaço atualmente ocupado pela Hypera Pharma.
O clube chegou a um valor de referência para a capacidade comercial da Neo Química Arena após um processo de valuation. A avaliação interna é de que o estádio “entrega” cerca de R$ 300 milhões em mídia por ano, considerando a temporada de 2025. O montante é superior aos valores previstos no acordo firmado em 2020.
A possibilidade de alteração no contrato de financiamento também faz parte das conversas. O objetivo é encontrar uma estrutura que permita ao Corinthians avançar na resolução da dívida com o banco.
As negociações atuais não incluem, porém, os estudos apresentados ao clube pelo perito criminal Anísio Costa Castelo Branco. O material levou o Ministério Público de São Paulo a abrir um procedimento investigatório para apurar um possível erro em um pagamento realizado pelo Corinthians à Caixa.
Nos bastidores, a avaliação é de que o estudo foi elaborado com base em termos considerados desatualizados e com alcance limitado diante do contrato atualmente vigente.
R$ 27 milhões estão retidos
Outro ponto discutido entre Corinthians e Caixa é a situação dos valores mantidos em uma conta secundária. O contrato de financiamento prevê que o banco possa receber 50% de premiações e outras receitas do clube para formar uma reserva financeira, utilizada em caso de inadimplência das parcelas do acordo.
Atualmente, cerca de R$ 27 milhões estão retidos nessa conta. Em 2026, por outro lado, o Corinthians já destinou aproximadamente R$ 50 milhões ao banco.
A possibilidade de chegar a um acordo que encaminhe a quitação da dívida da Arena é vista nos bastidores como um fator capaz de alterar a situação financeira do clube. As tratativas, entretanto, ainda estão em andamento e não há acordo concluído.
Crise financeira pressiona clube
A negociação acontece em meio a um cenário de dificuldades financeiras no Corinthians. Como informado pela ESPN nesta semana, o clube não realizou o pagamento dos direitos de imagem que venceram no último domingo (20/9). Com isso, são duas parcelas em aberto, além de outros valores relacionados a premiações e férias.
Os pagamentos referentes aos valores previstos em carteira de trabalho foram quitados horas antes da eliminação do Corinthians para o Estudiantes, da Argentina, na última quarta-feira (16/9), também com atraso.
O clube registrou déficit de R$ 246,039 milhões nos primeiros seis meses de 2026. O número representa crescimento em relação aos R$ 168,048 milhões apresentados até abril. O endividamento total permanece na casa dos R$ 2,8 bilhões.
Vendas de jogadores ficaram abaixo da previsão
A ausência de receitas com negociações de atletas também contribuiu para o resultado financeiro apresentado pelo clube. O orçamento aprovado para 2026 previa uma receita líquida de 25 milhões de euros, cerca de R$ 144 milhões, com vendas de direitos federativos. A expectativa era alcançar metade desse montante, 12,5 milhões de euros, aproximadamente R$ 74,9 milhões, ainda no primeiro semestre.
A previsão não foi alcançada. Para o período, o Corinthians havia projetado um déficit de R$ 138 milhões, mais de R$ 100 milhões abaixo do resultado efetivamente registrado.
É nesse cenário que a diretoria tenta avançar nas conversas com a Caixa. Além de discutir uma nova estrutura para a dívida de R$ 642 milhões da Neo Química Arena, o clube busca recuperar o acesso aos valores retidos e avalia alternativas comerciais para o estádio.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Guilherme Silva.




