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Críticas ao corpo de Georgina Rodríguez foge da tendência mais natural

Por Fábia Oliveira
Instagram/Reprodução

As recentes críticas ao corpo de Georgina Rodríguez, esposa de Cristiano Ronaldo, durante as férias do casal, reacenderam uma discussão que vai muito além da aparência da influenciadora.

Em meio a comentários sobre sua barriga e a comparação com padrões cada vez mais específicos de beleza, o episódio chama atenção justamente por acontecer em um momento em que celebridades como Ana Castela, Beyoncé e outras mulheres conhecidas vêm ajudando a fortalecer uma tendência de valorização de corpos mais naturais, menos rígidos e distantes da obrigação de apresentar uma definição muscular extrema.

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As cobranças

Para a psicóloga Jhoanne Hansen, especialista em saúde mental de criadores de conteúdo e integrante da Desvirtua, a cobrança revela como os padrões de beleza continuam mudando sem necessariamente se tornarem mais acessíveis.

“Mesmo quando o padrão estético muda, a lógica da comparação permanece. As redes sociais apresentam diferentes corpos, mas ainda existe uma cobrança para que a mulher esteja sempre dentro de algum modelo considerado ideal. Isso pode gerar insatisfação justamente porque o corpo real não funciona como uma imagem produzida para o ambiente digital”, afirmou.

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Georgina Rodríguez posa à beira da praia

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Georgina Rodríguez posa durante passeio de barco

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Georgina Rodríguez posa para as redes sociais

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Georgina Rodríguez posa de óculos escuros e boné

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Georgina Rodríguez posa de look preto

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A noiva de Cristiano Ronaldo

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Georgina Rodríguez posa ao lado do marido, Cristiano Ronaldo

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Georgina Rodríguez e Cristiano Ronaldo

Reprodução/Redes sociais

Padrões de beleza

Em conversa com a coluna, a especialista explicou que a exposição constante também pode fazer com que um determinado padrão pareça mais comum do que realmente é.

“Os algoritmos favorecem conteúdos que geram engajamento e, com isso, determinados tipos de corpos acabam aparecendo repetidamente. A repetição cria uma falsa sensação de normalidade e pode fazer com que a pessoa passe a enxergar características naturais do próprio corpo como problemas que precisam ser corrigidos”, analisou.

A estética muda, mas a cobrança permanece

O movimento em direção a uma aparência mais natural aparece em diferentes segmentos da cultura pop. Celebridades que mostram corpos menos definidos ou que deixam de esconder características naturais também ajudam a ampliar a percepção de que saúde e beleza não precisam estar associadas a um único formato corporal.

Para a arteterapeuta Juliana Nasasi, especialista em expressão criativa simbólica e integrante da Desvirtua, essa mudança pode representar uma relação mais saudável com a própria imagem.

“Valorizar corpos mais naturais permite que a mulher perceba que sua identidade não precisa estar condicionada à aparência. Quando deixamos de buscar uma imagem perfeita e passamos a reconhecer características individuais, abrimos espaço para uma relação mais verdadeira e acolhedora com o próprio corpo”, disse.

Exemplos nas redes

A nutróloga Mariana Comério reforçou que um abdômen extremamente definido não pode ser utilizado como parâmetro universal de saúde.

“Existe uma diferença importante entre ter uma composição corporal saudável e buscar uma definição abdominal extrema. O chamado tanquinho depende de massa muscular, genética, distribuição de gordura e características individuais. Uma mulher pode ser completamente saudável sem apresentar esse nível de definição”, opinou.

Segundo a médica, fatores hormonais e metabólicos também influenciam diretamente a aparência corporal feminina: “Na mulher, sono, estresse, alterações hormonais, resistência insulínica e até a fase da vida interferem na composição corporal. Na menopausa, por exemplo, existe uma tendência maior ao acúmulo de gordura abdominal. Por isso, não podemos avaliar saúde apenas pela aparência de uma determinada região do corpo”, pontuou.

Preço do emagrecimento rápido

A pressão para reproduzir corpos vistos nas redes sociais também pode levar a estratégias extremas de emagrecimento. O cirurgião plástico Marco Cassol alertou que o processo é tão importante quanto o resultado.

“O emagrecimento acelerado, principalmente quando motivado por pressão estética, pode aumentar o risco de perda de massa muscular, flacidez e alterações metabólicas. O objetivo deve ser transformar o corpo com segurança, e não simplesmente alcançar rapidamente uma determinada aparência”, relatou.

O cirurgião plástico Jorge Seba observou, ainda, que a viralização de transformações físicas pode criar uma expectativa difícil de reproduzir: “Quando uma transformação corporal viraliza, muitas pessoas enxergam apenas o resultado final e não todo o processo envolvido. Isso pode estimular comparações e decisões impulsivas. Cada corpo possui uma anatomia, uma resposta e uma história diferentes”, garantiu.

Mudanças no rosto

A mudança corporal também pode repercutir no rosto. Segundo o otorrinolaringologista e cirurgião plástico facial André Baraldo, a perda rápida de gordura pode alterar a harmonia facial.

“A gordura facial participa da sustentação e do contorno do rosto. Quando existe uma perda de volume muito rápida, podemos observar maior evidência de sulcos e uma aparência mais envelhecida. Nem sempre aquilo que a pessoa interpreta como envelhecimento é, de fato, envelhecimento”, declarou.

Para o cirurgião plástico facial Yuri Moresco, a tendência atual deve caminhar justamente para resultados que preservem a identidade: “Hoje existe uma valorização cada vez maior da naturalidade. O objetivo de um tratamento estético não deveria ser transformar uma pessoa em outra, mas preservar suas características e promover equilíbrio. A individualidade precisa estar acima da reprodução de um padrão”, esclareceu.

Espaço para o corpo real

As críticas dirigidas a Georgina Rodríguez mostram que, apesar da crescente valorização da naturalidade, a pressão estética continua presente. O paradoxo está justamente aí: enquanto parte da sociedade começa a questionar a necessidade de corpos extremamente definidos, as redes sociais ainda cobram das mulheres uma aparência constantemente aperfeiçoada.

Para Jhoanne Hansen, a saída não está necessariamente em abandonar as redes, mas em mudar a relação com aquilo que aparece na tela.

“É importante diversificar o conteúdo consumido, seguir pessoas com diferentes corpos, idades e estilos de vida e deixar de acompanhar perfis que provocam comparações constantes. Também precisamos lembrar que uma fotografia é apenas um recorte e pode envolver iluminação, pose, edição e produção”, afirmou.

O episódio envolvendo Georgina, portanto, diz menos sobre o corpo da influenciadora e mais sobre a dificuldade que a sociedade ainda enfrenta para aceitar que beleza não precisa seguir uma única fórmula.

Se Ana Castela, Beyoncé e outras famosas ajudam a ampliar o espaço para corpos mais naturais, a reação às imagens de Georgina mostra que essa mudança ainda está em construção. No fim, a questão não deveria ser se uma mulher tem ou não o corpo considerado ideal, mas por que ainda existe a necessidade de avaliá-la a partir dele.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Fábia Oliveira.