*Aviso: esta matéria aborda temas como depressão e suicídio. Se você enfrenta problemas ou conhece alguém que está nessa situação, veja ao final do texto onde buscar apoio.
Apoiar uma pessoa com depressão pode significar ouvir, acompanhar consultas, ajudar em tarefas do dia a dia e permanecer por perto nos momentos mais difíceis. No entanto, quando toda a rotina começa a girar em torno do sofrimento de quem está doente, familiares, parceiros e amigos também podem ficar emocionalmente sobrecarregados.
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do Metrópoles Saúde e Ciência
“A dor do outro, às vezes, é tão forte que o que ele precisa não é de alguém para absorver, mas de alguém para ajudá-lo a se reerguer”, afirma.
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Ajudar não significa assumir a responsabilidade pela recuperação
Um dos sentimentos que podem surgir entre familiares e amigos é a culpa por não conseguirem fazer a pessoa com depressão melhorar. Perguntas como “por que ela continua triste se tem pessoas que a amam?” podem aparecer durante a convivência, mas partem da ideia equivocada de que carinho ou boas condições de vida seriam suficientes para afastar a doença.
O médico psiquiatra Lenon Mazetto, de São Paulo, especialista em consciência mental e desenvolvimento humano, explica que familiares e amigos precisam compreender qual é o papel que podem desempenhar. A função da rede de apoio é oferecer afeto, companhia e auxílio prático, enquanto diagnóstico e tratamento devem permanecer sob responsabilidade dos profissionais de saúde.
A divisão também evita que uma única pessoa concentre tarefas domésticas, responsabilidades financeiras, acompanhamento do tratamento e outras demandas. Quando a sobrecarga se prolonga, podem aparecer ansiedade, isolamento social e abandono dos próprios projetos.
“É preciso entender os limites de sua competência, no papel de familiar ou amigo, como uma rede de afeto e suporte prático e não de terapeuta ou médico”, orienta Mazetto.
Quando o apoio começa a provocar sobrecarga
O desgaste nem sempre aparece de forma imediata. Segundo o psiquiatra, alguns sinais podem surgir no corpo, nas emoções e no comportamento, como cansaço persistente, dores musculares, alterações digestivas, irritabilidade, choro frequente, dificuldade de concentração, esquecimentos e insônia.
Para Thamyris, a preservação da rotina é fundamental para evitar que o cuidado se transforme em abandono da própria vida. “Nunca se abandone. Continue seguindo firme na batalha da sua vida, pois não existe ajuda ao outro se também adoecermos”, afirma.
A psicóloga recomenda manter atividades prazerosas, praticar exercícios físicos e buscar terapia quando necessário. Sono, alimentação, trabalho, vínculos sociais e momentos de descanso também devem continuar fazendo parte da rotina de quem oferece apoio.
O que fazer para fortalecer a própria saúde mental
- Mantenha a própria rotina: preserve, na medida do possível, horários de sono, trabalho, estudos, alimentação e compromissos pessoais.
- Não abandone atividades prazerosas: hobbies, exercícios físicos, encontros com amigos e momentos de descanso ajudam a evitar que a vida fique restrita ao cuidado.
- Divida responsabilidades: outros familiares e pessoas próximas podem participar da rede de apoio, evitando que todo o acompanhamento fique concentrado em uma única pessoa.
- Estabeleça limites: estar disponível não significa permanecer acessível durante todo o tempo ou deixar de dormir, trabalhar e cuidar das próprias necessidades.
- Não tente ocupar o lugar de um profissional: familiares e amigos podem acolher e ajudar, mas tratamento e acompanhamento clínico devem ser conduzidos por profissionais de saúde.
- Observe sinais de sobrecarga: irritabilidade, cansaço persistente, insônia, isolamento, perda de prazer, dificuldade de concentração e sensação frequente de desesperança merecem atenção.
- Procure ajuda quando necessário: psicoterapia ou avaliação psiquiátrica também podem ser importantes para quem acompanha uma pessoa com depressão, principalmente quando o sofrimento começa a comprometer a rotina.
Como conversar com alguém com depressão
O acolhimento também passa pela maneira como familiares e amigos conversam com quem está doente. Cobranças para que a pessoa “reaja”, comparações com outras situações ou afirmações de que ela tem motivos para estar feliz podem aumentar a culpa e a sensação de incompreensão.
“Quem tem depressão, quando escuta esses tipos de frase, se afunda mais ainda, pois entende tudo isso, mas não tem força para fazer”, explica Thamyris.
Em vez de cobrar uma mudança imediata, a psicóloga recomenda ouvir e demonstrar disponibilidade. Pequenas atividades que davam prazer antes do adoecimento, como ir ao cinema ou a um restaurante, podem ser retomadas gradualmente, respeitando os limites e o tratamento de cada pessoa.
Também é importante não transformar a recusa ou a dificuldade de realizar uma tarefa em conflito. “Quem acolhe precisa de paciência, não de julgamentos”, resume a psicóloga.
Quando quem ajuda também precisa de ajuda
O sofrimento de quem acompanha uma pessoa com depressão não deve ser ignorado. Mazetto recomenda procurar avaliação profissional quando alterações emocionais começam a permanecer por semanas e provocam prejuízos no trabalho, nos estudos, nas relações ou nas atividades cotidianas.
Buscar ajuda, portanto, não representa abandonar a pessoa com depressão. Pelo contrário, preservar a própria saúde permite que familiares e amigos continuem fazendo parte de uma rede de apoio sem transformar o sofrimento alheio em responsabilidade individual.
Qualquer fala sobre suicídio ou morte precisa ser levada a sério. Diante de uma situação de risco, Mazetto orienta ouvir sem julgamentos, não minimizar o sofrimento e buscar ajuda, sem assumir sozinho a responsabilidade pela segurança da pessoa.
*Se você está passando por depressão, tendo pensamentos de suicídio ou conhece alguém nessa situação, procure apoio. Você pode ligar ou conversar pelo chat dos seguintes serviços:
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- Centro de Valorização da Vida (CVV): 188 (24h, ligação gratuita e sigilosa) ou pelo site cvv.org.br;
- Samu: 192 em situações de emergência médica;
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Isabella França.




